Em muitas cidades, rios e cursos d'água que antes fluíam à superfície foram enterrados para dar espaço a infraestruturas. Com o aumento de chuvas intensas e o envelhecimento de sistemas, esses corpos d'água podem se tornar parte da solução para a gestão urbana.

Dois exemplos em cidades distintas

Em Seul, entre 2003 e 2005, foi realizada uma intervenção centralizada na região central da cidade, com remoção de uma rodovia elevada e integração do rio Cheonggyecheon a espaços públicos. O projeto demonstrou resultados visíveis, mas exigiu alto investimento e continua com custos de manutenção.

O projeto levantou críticas por não garantir integridade ecológica — água é fornecida por bombas — e por aumentar o valor imobiliário, afetando pequenos negócios locais.

Abordagem gradual em Zurique

Zurique iniciou projetos piloto nas décadas de 1980, restaurando segmentos menores de corpos d'água ao longo de várias décadas. As intervenções estão ligadas à gestão de esgoto, renovação de infraestrutura e planejamento de bairros.

Os rios agora passam por áreas residenciais, parques e espaços públicos, com acessos para caminhadas, lazer e interação social. A rede distribuída melhora a função do lençol hídrico e conecta habitats locais.

O estudo indica que cidades podem começar por projetos menores, monitorar resultados e expandir conforme surgirem oportunidades de reestruturação urbana.