O ciclo de conflitos em Israel parece não ter fim. Menos de uma semana após o recente acordo entre Irã e Estados Unidos, que pôs um ponto temporário na guerra entre os aliados, uma pesquisa indicou que 92% dos israelenses sentem que a vitória sobre seus inimigos históricos foi comprometida. Quase metade dos entrevistados defende que Israel deve continuar seus ataques ao Líbano e ao grupo Hezbollah, mesmo diante das advertências de Washington.

Desde o ataque surpresa do Hamas em 7 de outubro de 2023, que resultou na morte de 1.139 israelenses, Israel se envolveu em uma série de conflitos intensos. Estima-se que mais de 73.000 palestinos foram mortos em Gaza, enquanto Israel também realizou ataques no Irã, no Líbano e incursões na Síria.

Dentro do parlamento israelense, o apoio às operações militares é um dos poucos pontos de consenso. O ex-chefe do Estado-Maior, Gadi Eisenkot, um dos possíveis sucessores do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, descreveu os ataques ao Irã como “a guerra mais justa em décadas”. O líder da oposição, Yair Lapid, também criticou a decisão dos EUA de negociar com Teerã, considerando-a um fracasso da política externa israelense.

Daniel Bar-Tal, sociólogo da Universidade de Tel Aviv, observa que a resposta da população é resultado de um processo que associa o ataque do Hamas ao Holocausto, reforçando uma narrativa de trauma histórico que permeia a identidade israelense.

Com a aproximação das eleições, Netanyahu enfrenta a pressão de responder ao ataque de 7 de outubro e aos problemas de corrupção em meio a um ambiente de insegurança contínua. Analistas indicam que a doutrina de defesa de Israel, que busca eliminar qualquer ameaça antes que ela se desenvolva, perpetua a necessidade de conflitos constantes, criando um ciclo difícil de romper.