O caso do bebê Noah, que foi dado como morto após sofrer duas paradas cardiorrespiratórias e foi encontrado vivo por funcionários de uma funerária horas depois, levanta questões sobre os protocolos médicos utilizados. Em entrevista ao programa Fantástico, Marco Aurélio Mestrinel, diretor médico da Santa Casa onde Noah estava internado, afirmou que todos os procedimentos foram seguidos antes de declarar a morte do bebê.
"Essa criança ficou em reabilitação por mais de 40 minutos. Todos os aparelhos evidenciavam morte da criança. E, depois disso, ainda faz-se a constatação clínica", disse Mestrinel, que também comentou a dificuldade em explicar o que ocorreu. "A gente não encontrou nenhuma justificativa do que pode ter acontecido", acrescentou.
Investigação em andamento
O hospital já iniciou uma investigação administrativa sobre o caso e, atualmente, ele está sendo analisado pela comissão de ética da instituição. Mestrinel destacou que até o momento não há correções a serem feitas em relação ao atendimento prestado.
O episódio gerou reações entre especialistas que não participaram diretamente do atendimento a Noah. Nelson Rorigoshi, gerente médico do Hospital Infantil Sabará, ressaltou que situações semelhantes são extremamente raras, geralmente envolvendo adultos ou idosos. "Isso é muito raro no mundo inteiro. Tem uma revisão que foi feita em 2020. Conseguiram pegar 65 casos. A grande maioria é adulto e idoso. A criança já fica fora da curva", afirmou.
Possíveis explicações médicas
Uma das hipóteses discutidas na literatura médica para casos como o de Noah é a síndrome de Lázaro, que se refere ao retorno espontâneo da circulação após a interrupção das tentativas de reanimação. Rorigoshi explicou que essa teoria é uma tentativa de entender o fenômeno sem recorrer a explicações mirabolantes. "Eles falam em síndrome de Lázaro, relembrando episódios bíblicos que Jesus fez Lázaro ressuscitar. É uma tentativa de explicação baseada em dados fisiológicos", disse.
Entretanto, o especialista observou que o caso de Noah é excepcional. "Normalmente, são minutos. Mais ou menos 70% das pessoas que retornam, retornam até cinco minutos. E o restante retorna em até dez minutos. Olha só como o caso dessa criança é excepcional. A gente está falando de horas", destacou Rorigoshi.
Após ser encontrado respirando no necrotério da Santa Casa, Noah foi transferido para o Hospital das Clínicas de Bauru, que é especializado em doenças genéticas e anomalias congênitas. O bebê permanece internado, entubado e sem previsão de alta, mas, segundo os pais, ele apresenta evolução clínica e continua a ser monitorado pela equipe médica.
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