A três semanas do primeiro turno das Eleições de 2026, as buscas no Google por nomes de candidatos acompanhadas pela pergunta 'é de direita ou esquerda?' quase triplicaram no Brasil desde o início da campanha eleitoral, em 16 de agosto.
O interesse por definições ideológicas também apareceu nas buscas relacionadas aos cargos em disputa. Nos últimos 30 dias, as pesquisas pelos termos 'deputado esquerda' e 'deputado direita' cresceram 600% e 1.200%, respectivamente, no país.
Impacto na decisão do eleitor
Os dados não indicam necessariamente um eleitor mais ideológico, mas podem apontar para um eleitor mais desconfiado. Para o cientista político Elias Tavares, as eleições deste ano são marcadas pela busca por identidade política, e os termos 'direita' e 'esquerda' funcionam como um filtro inicial para o eleitor.
‘O eleitor tenta descobrir se existe um ‘match’ entre aquele candidato e aquilo em que ele mesmo acredita. Em muitos casos, a primeira pergunta já não é necessariamente ‘o que esse candidato propõe?’, mas, sim, ‘ele está de qual lado?’. Direita e esquerda ajudam o eleitor a antecipar posições, alianças e valores’, afirmou.
Contextualização
O cientista político Samuel Oliveira afirma que, em um cenário de polarização, essa preocupação em identificar políticos como de direita ou de esquerda pode alcançar também as disputas para deputado e senador, e não apenas a eleição presidencial. Para ele, os dados podem indicar um eleitor mais desconfiado.
‘Ele quer saber primeiro de que lado o candidato está, para depois decidir se vale a pena ouvi-lo. A polarização, então, deixa de ser apenas uma preferência e passa a funcionar como filtro’, disse.
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