Começam nesta segunda-feira (6) as audiências públicas organizadas pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), um passo crucial na investigação que propõe a imposição de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. O processo, fundamentado na Seção 301 da legislação comercial americana, permite que diversas partes interessadas, incluindo empresas e associações, apresentem seus argumentos antes da decisão final dos EUA.

Entre os participantes estão a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), além de representantes de setores como café, arroz e açúcar. Enquanto isso, equipes técnicas de Brasil e EUA devem se reunir para preparar uma última rodada de negociações antes do dia 15 de julho, data em que Washington deve decidir sobre as tarifas.

A defesa da indústria brasileira

A estratégia da indústria é demonstrar que as economias dos dois países estão interligadas e que a tarifa também resultaria em custos mais altos para empresas americanas. A Fiesp argumentará que a taxa não tem justificativa técnica ou econômica e poderá prejudicar tanto empresas quanto consumidores em ambos os países. Segundo a CNI, se a tarifa for aplicada, 31,6% das exportações brasileiras para os EUA enfrentariam um aumento total de tarifas para 37,5%.

Durante a audiência, a Fiesp planeja contestar quatro pontos levantados na investigação dos EUA: a questão da propriedade intelectual, as tarifas de importação, a relação entre crescimento agrícola e desmatamento, e a necessidade de maior integração comercial entre os países. O presidente do Conselho Superior de Comércio Exterior da Fiesp, Roberto Azevêdo, enfatizou que as práticas brasileiras estão em conformidade com as regras internacionais e não prejudicam as empresas americanas.

Preocupações do setor privado

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) também se posicionou contra a tarifa, alegando que não há evidências que justifiquem a discriminação de empresas americanas no Brasil. Constanza Negri, gerente de Comércio e Integração Internacional da CNI, destacou que a relação comercial entre os dois países é complementar e que a sobretaxa aumentaria os custos para a cadeia produtiva. A incerteza gerada por mudanças frequentes na política comercial dos EUA é uma preocupação adicional para o setor privado.

A Abimaq, representando a indústria de máquinas e equipamentos, solicitará a exclusão desse setor da tarifa, argumentando que a relação comercial entre Brasil e EUA é baseada em cadeias produtivas integradas. Os EUA são o principal destino das exportações brasileiras de máquinas e equipamentos, e a imposição de tarifas poderia prejudicar essa dinâmica.