Começam nesta segunda-feira (6) as audiências públicas promovidas pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), uma etapa crucial na investigação que pode resultar na imposição de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. As audiências são parte do processo baseado na Seção 301 da legislação comercial americana, que permite que diferentes partes apresentem seus argumentos antes da decisão final.

Representantes da indústria e do agronegócio do Brasil participarão das audiências, buscando convencer o governo dos EUA de que a sobretaxa afetaria não apenas os exportadores brasileiros, mas também empresas e consumidores americanos. Estão entre os participantes a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), além de setores como café, arroz, açúcar e etanol.

A defesa da indústria brasileira

A estratégia da indústria é destacar a forte integração das economias dos dois países, argumentando que a tarifa elevaria os custos para empresas americanas. A Fiesp, que representa as indústrias de São Paulo, argumentará que a tarifa proposta não possui justificativa técnica ou econômica e que sua implementação prejudicaria empresas e consumidores em ambos os lados.

De acordo com estimativas da CNI, se a tarifa for aprovada, 31,6% das exportações brasileiras para os EUA enfrentariam uma tarifa total de 37,5%, considerando outras acusações de “falha no combate ao trabalho forçado”. Além disso, 35,2% da pauta exportadora brasileira seria afetada pela nova sobretaxa, e, somadas às tarifas já existentes, 54,1% das exportações brasileiras estariam sujeitas a tarifas adicionais.

Posicionamentos e próximos passos

Roberto Azevêdo, presidente do Conselho Superior de Comércio Exterior da Fiesp, afirmou que as acusações do USTR não se sustentam e que a prática comercial brasileira é legítima, respeitando as regras internacionais. Ele ressalta que a tarifa não resolverá os problemas apontados pelo governo americano, mas sim aumentará os custos e prejudicará as cadeias produtivas em ambos os países.

A CNI também defende que a tarifa não possui justificativa e que a relação comercial entre Brasil e EUA é complementar. A gerente de Comércio e Integração Internacional da CNI, Constanza Negri, destacou que qualquer medida que crie barreiras comerciais trará prejuízos para ambos os lados.

Além das audiências, equipes técnicas dos dois governos se reunirão ainda nesta semana para preparar uma última rodada de negociações antes do prazo de 15 de julho, quando Washington decidirá sobre a imposição das tarifas. O Brasil já enviou uma resposta formal ao USTR, contestando as críticas feitas ao sistema de pagamentos Pix e a decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), argumentando que essas questões não estão relacionadas ao comércio.