Às vésperas da Assembleia Geral da ONU, Brasil, UE, Canadá e Quênia lançaram uma iniciativa em defesa do multilateralismo. O movimento diplomático, batizado de 'Parceiros pelo Multilateralismo' (P4M), foi anunciado neste domingo (20) por meio da publicação de um manifesto conjunto no jornal britânico Financial Times.

O documento é assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pelo presidente do Conselho Europeu, António Costa, pelo primeiro-ministro canadense, Mark Carney, e pelo presidente queniano, William Ruto.

Os signatários propõem a criação de uma estrutura flexível e aberta a países de diferentes regiões e tradições políticas que estejam dispostos a atuar para além de suas diferenças, formar coalizões em favor de reformas e transformar princípios compartilhados em ações concretas.

A iniciativa visa articular respostas conjuntas a desafios urgentes e complexos, como inteligência artificial, mudanças climáticas, pandemias e choques financeiros. Os líderes afirmam que nenhum país tem poder suficiente para enfrentar esses obstáculos de forma isolada.

Desafios contemporâneos

O documento destaca a fragilidade do direito internacional e a polarização global. Os signatários apontam que 65 conflitos armados entre Estados foram registrados em 2025, a maior quantidade de confrontos documentada desde 1946. Além disso, os gastos militares globais também bateram recorde e chegaram a US$ 2,9 trilhões.

Crise na ONU e expectativas

O lançamento da frente diplomática coincide com a maior crise da história da ONU. A organização enfrenta fortes restrições financeiras e grandes dificuldades para solucionar os conflitos atuais. Há ainda um impasse no Conselho de Segurança sobre a escolha do próximo secretário-geral, a apenas três meses do fim do mandato de António Guterres.