A Base44, plataforma de vibe coding adquirida pela Wix por US$ 80 milhões há um ano, começou a implementar seu próprio modelo de inteligência artificial (IA) para ajudar os usuários a desenvolver aplicativos usando linguagem natural. A decisão surge em meio a um debate crescente sobre a adequação de modelos avançados (frontier models) para diferentes casos de uso e a viabilidade de negócios que dependem de modelos de terceiros.

Desenvolvimento do Modelo Base1

Embora o modelo personalizado esteja apenas começando a ser lançado, a Base44 acredita que, no futuro, ele poderá superar os modelos de fronteira existentes. Segundo Maor Shlomo, fundador da empresa, “treinar e possuir o modelo como parte de nossa pilha inteira nos permite muitas mais otimizações em latência, custo e eficiência”. Essa estratégia pode ser uma forma de se manter à frente de concorrentes, como a startup sueca Lovable, que atingiu o status de unicórnio em sua rodada de investimento Série A no verão passado e que utiliza modelos de IA externos.

Desafios e Concorrência no Setor de IA

Jonathan Userovici, sócio-gerente da empresa de capital de risco Headline, aponta que os dados são um dos três ingredientes principais para a defensibilidade de startups de IA, ao lado da distribuição e da pilha tecnológica. Ele destaca que empresas com marcas fortes estão cada vez mais aproveitando seus dados e infraestrutura para aumentar sua defensibilidade, e a Base44 se encaixa nesse padrão. O primeiro modelo da empresa, chamado Base1, foi desenvolvido e treinado com um conjunto de dados gerado a partir de “dez milhões de interações reais de usuários na plataforma”.

Entretanto, a competição pode vir não apenas de startups de vibe coding, mas também de laboratórios de IA avançada, como Cursor e Grok, que agora pertencem à SpaceX. Shlomo acredita que a especialização da Base44 oferece uma vantagem, afirmando que “os modelos estão progredindo, mas continuarão muito gerais em suas capacidades”. Userovici, por outro lado, adverte contra a subestimação dos modelos de fronteira, citando o exemplo da startup de tecnologia jurídica Harvey, que abandonou os planos de treinar seu próprio modelo.

O aumento das pressões de custo tem levado empresas a reavaliar o uso de modelos de última geração, uma vez que nem sempre observam um retorno sobre investimento satisfatório. A Base44 busca desenvolver um modelo mais alinhado às necessidades dos usuários, que seja mais rápido e econômico em comparação aos modelos de fronteira, como o Opus. A propriedade do modelo também permitirá à Base44 um controle mais direto sobre os gastos com computação e inferência, o que pode resultar em margens mais fortes ao longo do tempo.

Apesar do contexto de demissões de 20% da força de trabalho da Wix, a Base44 tem aumentado sua equipe desde a aquisição e recentemente anunciou que ultrapassou US$ 100 milhões em receita recorrente anual. Embora ainda esteja atrás da Lovable, que reportou US$ 500 milhões em ARR, Shlomo acredita que o esforço considerável para desenvolver o Base1 consolidará a Base44 como a única aplicação de vibe coding verticalmente integrada.