As empresas de tecnologia da China estão ampliando sua atuação no mercado global, intensificando a competição com as companhias dos Estados Unidos. Essa nova fase da rivalidade tecnológica foi destacada durante o China International Supply Chain Expo, realizado em Pequim.
Expansão das empresas chinesas
Com investimentos em centros de dados e aplicações de inteligência artificial, as empresas chinesas estão se expandindo rapidamente fora de seu mercado doméstico. O estrategista de mercado Peter Boockvar alertou que investidores de tecnologia dos EUA devem atentar para a crescente competição, já que muitas empresas chinesas priorizam a participação de mercado em vez de margens de lucro.
O lançamento de modelos de IA de baixo custo, que competem com os desenvolvidos nos EUA, é apenas o primeiro passo. A integração industrial será crucial, sinalizando que preço e funcionalidade ganharão relevância à medida que a competição econômica se intensifica globalmente.
O papel da inteligência artificial
O chairman global da PwC, Mohamed Kande, afirmou que o uso de IA na manufatura não apenas criará empregos na China, mas também em outros países que adotarem a tecnologia chinesa. Kande fez suas declarações em um painel durante a feira, que foi organizada em resposta ao chamado do presidente chinês, Xi Jinping, para aprimorar a segurança industrial.
Apesar de a China ser um polo de manufatura global há décadas, a feira foi lançada apenas em 2023. Durante o evento, o primeiro-ministro Li Qiang enfatizou a importância da inovação para enfrentar as dificuldades econômicas globais, mencionando que os modelos de IA de código aberto da China já foram baixados 10 bilhões de vezes em todo o mundo.
A resposta dos EUA
Os Estados Unidos também estão se movendo rapidamente. O Departamento de Estado anunciou a inclusão de novos participantes europeus na iniciativa "Pax Silica", que visa garantir cadeias de suprimento de tecnologia. Após a cúpula de dois dias em Washington, D.C., os EUA lançaram um programa de manufatura avançada em parceria com a Universidade de Stanford.
O presidente da Boeing China, Landon Loomis, destacou a importância da "semana digital" da APEC, que ocorrerá no próximo mês em Chengdu, como uma oportunidade crucial para discutir a governança da IA e a operabilidade tecnológica. Embora o evento ocorra na China, espera-se que empresas de tecnologia dos EUA participem e promovam suas capacidades em IA.
Desafios e oportunidades
Enquanto as empresas americanas na China tentam manter sua presença, as empresas chinesas avançam no exterior, especialmente em infraestrutura de computação em nuvem. Recentemente, a Alibaba anunciou a abertura de seu terceiro centro de dados na Europa, na França, um movimento que reforça suas ambições globais no setor de nuvem.
Analistas da S&P Global Ratings observaram que a nova instalação na França ajudará a reduzir a latência e melhorar a confiabilidade, permitindo à Alibaba atender a demandas mais complexas e sensíveis ao tempo. Com a previsão de que a região Ásia-Pacífico represente cerca de 34% da demanda global por centros de dados até 2030, a competição entre os gigantes da tecnologia está se intensificando.
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