Bangladesh está investindo na construção da usina nuclear de Rooppur, um projeto ambicioso avaliado em 12,65 bilhões de dólares. A usina, que terá capacidade de 2,4 gigawatts, está programada para entrar em operação ainda este ano, marcando um passo significativo na busca do país por fontes de energia mais sustentáveis e confiáveis.

Localizada às margens do rio Padma, no oeste de Bangladesh, a usina nuclear é considerada um teste importante para a energia atômica em países em desenvolvimento. O sucesso do projeto pode oferecer um modelo para outras nações que enfrentam desafios semelhantes em relação ao fornecimento de energia e dependência de combustíveis fósseis.

Desafios e motivações para o projeto

A principal motivação de Bangladesh para a construção da usina Rooppur é garantir um fornecimento de energia a longo prazo, especialmente em um contexto de conflitos globais que têm afetado o fluxo de energia e aumentado o custo das importações de combustíveis. O país tem enfrentado filas em postos de gasolina e apagões frequentes, uma situação que se agrava pela sua dependência de petróleo e gás.

Quando estiver totalmente operacional, a usina nuclear deverá fornecer cerca de 15% da demanda nacional de energia, contribuindo para a estabilidade do sistema elétrico do país. No entanto, o projeto não está isento de desafios, tendo enfrentado atrasos devido a dificuldades de suprimento durante a pandemia de COVID-19, sanções ocidentais e flutuações cambiais que elevaram os custos em cerca de 25%.

Dependência energética e relações com a Índia

Atualmente, Bangladesh depende fortemente da Índia para atender sua demanda diária de eletricidade, com cerca de 2,5 a 2,8 gigawatts contratados de fornecedores indianos, como a Adani Power. Essa dependência tem gerado tensões entre os dois países, especialmente em relação à precificação e atrasos nos pagamentos por parte de Dhaka, que enfrenta restrições cambiais.

Em 2021, a Adani Power cortou em mais de 60% as exportações de eletricidade para Bangladesh devido a uma disputa sobre pagamentos, resultando em uma dívida acumulada de aproximadamente 800 milhões de dólares. Essa situação evidenciou a vulnerabilidade de Bangladesh em relação à sua capacidade de garantir um fornecimento estável de energia.

De acordo com especialistas, a Rooppur pode ser a última grande usina nuclear construída no país, levando o governo de Dhaka a considerar a adoção de Reatores Modulares Pequenos (SMRs) como uma alternativa futura. Esses novos reatores, que podem gerar entre 300 e 400 megawatts, são atraentes por seus custos reduzidos, que variam de 500 milhões a 1 bilhão de dólares, em comparação com os mais de 10 bilhões necessários para usinas nucleares convencionais.

O primeiro reator da usina Rooppur deve começar a fornecer 300 megawatts à rede elétrica de Bangladesh em agosto de 2026, aumentando gradualmente a capacidade até atingir 2,4 gigawatts até 2028, posicionando a energia nuclear como uma das principais fontes de eletricidade do país.