Avanço de IA é bem-vindo na Justiça, mas palavra final deve ser de humano, diz ex-presidente do TJ-MG 1 de julho de 2026, 20h45 O avanço tecnológico no Judiciário, especialmente na inteligência artificial, é bem-vindo. Porém, a última palavra tem que ser sempre dada por um humano. É o que afirma o desembargador Luiz Carlos de Azevedo Corrêa Júnior, que encerrou o seu mandato como presidente do Tribunal de Justiça de Minas Gerais nesta terça-feira (30/6).

Em entrevista ao suplemento Direito & Justiça Minas, do jornal Estado de Minas, o magistrado fez um balanço de sua gestão. Ele destaca que, em 2025, o TJ-MG julgou mais processos do que recebeu. Além disso, sua presidência criou novos órgãos e substituiu o PJe pelo eproc, um sistema eletrônico de processos mais automatizado e fácil de se lidar.

Leia a entrevista: O senhor está encerrando, nesta terça (30/6), seu mandato como presidente do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Quais foram os principais desafios desses dois anos à frente do Judiciário mineiro? Luiz Carlos Corrêa — Os desafios foram muitos.

Somos o segundo maior Tribunal de Justiça de grande porte do país, atrás apenas do TJ-SP. Temos mais de 1,2 mil juízes e juízas e aproximadamente 13 mil servidores e servidoras, espalhados por 298 comarcas. Minas é um estado plural em todos os sentidos e a administração deve levar isso em consideração.

Ao lado dessa realidade multifacetada, estamos enfrentando o fenômeno da multiplicação das demandas. De um lado, há a indicação de que a população confia no Judiciário estadual, mas, sob outro prisma, essa procura impõe ao gestor a adoção de medidas que proporcionem o enfrentamento qualificado das novas ações. Em termos de quantitativo de processos, de comarcas, de novos fóruns, de juízes, pode fazer um balanço dos principais indicadores do TJ-MG se comparada a atualidade com o início de seu mandato?

Luiz Carlos Corrêa — Na atual gestão, nomeamos mais de 50 novos juízes e juízas, e admitimos mais de uma centena de servidoras e servidores. Conseguimos em 2025 julgar mais processos do que recebemos — 2 milhões recebidos e 2,3 milhões julgados. Diariamente, são distribuídos, em média, na primeira instância, 17 mil novas ações, e chegam ao tribunal, também por dia, aproximadamente 1,5 mil novos recursos.

Enfrentar essa crescente demanda e apresentar resultados exige muito trabalho e dedicação. Em virtude dos limites fiscais, não podemos majorar a estrutura. Por isso, apenas instalamos uma vara de violência doméstica em Uberaba, com a utilização do cargo de juiz auxiliar lá existente, e uma unidade dos juizados especiais em Nova Serrana.

Mas criamos núcleos de cooperação, secretarias unificadas e centrais de processamento eletrônico. Além disso, estamos substituindo o PJe pelo eproc, que é um sistema que prima pela automatização. Temos que fazer mais com o mesmo, ou mais com menos.

O caminho a ser traçado é o da inovação. Quais foram as principais realizações e conquistas de seu mandato para os magistrados? E para os jurisdicionados?

Luiz Carlos Corrêa — No meu discurso de posse me comprometi a valorizar a magistratura mineira e o corpo de servidores de nosso tribunal, e muito trabalhei nesse sentido.