O transporte se consolidou como um dos maiores desafios orçamentários para as famílias brasileiras, segundo dados da 13ª edição dos Indicadores de Qualidade do Trabalho da Sondagem do Mercado de Trabalho do FGV Ibre, divulgada nesta terça-feira (14). Em junho de 2026, 27,6% dos entrevistados indicaram o transporte como uma das três principais despesas, um aumento significativo em relação aos 2% registrados no mesmo mês do ano anterior.
De acordo com Rodolpho Tobler, superintendente adjunto do FGV Ibre, esse crescimento nos gastos com transporte está diretamente ligado ao aumento dos custos de deslocamento, especialmente devido à alta dos combustíveis. "O transporte passou a ser um dos três maiores gastos mensais das famílias", comentou Tobler.
A instabilidade no mercado de petróleo, agravada pelo conflito no Oriente Médio, tem contribuído para a volatilidade nos preços dos combustíveis. Esse cenário, segundo Tobler, deve manter os custos elevados por um período prolongado. Gustavo Assis, CEO da Asset Wealth Management, também aponta que o subgrupo de transportes no IPCA é fortemente influenciado por tarifas de transporte público e pelo custo dos veículos.
Pressão crescente sobre o orçamento familiar
A pesquisa revelou que, embora 69,1% dos entrevistados tenham conseguido pagar suas contas essenciais nos últimos três meses, esse número vem diminuindo desde fevereiro, quando alcançou 72,4%. Para Tobler, esse fenômeno reflete não apenas uma possível redução na renda, mas uma pressão crescente dos custos sobre o orçamento das famílias.
As despesas não adiáveis, como alimentação, contas de serviços públicos e moradia, continuam a dominar o orçamento. André Matos, CEO da MA7 Negócios, destaca que 75% das famílias mencionam alimentação entre suas maiores despesas, enquanto quase metade cita contas de serviços públicos e moradia.
Insatisfação no mercado de trabalho
Além da pressão financeira, a pesquisa também avaliou a satisfação dos trabalhadores. No trimestre encerrado em junho, 64% dos entrevistados se declararam satisfeitos com seus empregos, uma queda em relação aos 68% registrados em janeiro. A insatisfação, que aumentou de 5,7% para 6,9%, é atribuída principalmente à baixa remuneração, conforme apontado por 57,9% dos participantes.
Para Tobler, essa insatisfação está ligada ao fato de que os rendimentos não têm acompanhado o aumento dos custos de vida. A percepção de que o mercado de trabalho pode se deteriorar também contribui para uma cautela crescente entre os trabalhadores. Matos ressalta que muitos brasileiros trabalham na informalidade, o que gera uma insegurança em relação à perda de rendimento, mesmo que haja confiança na capacidade de encontrar novas fontes de renda.
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