No último mês, a comunidade Baha'i no Irã tem enfrentado um aumento alarmante na repressão, com relatos de prisões e apreensões de seus membros. Atossa Najafi, estudante de odontologia na Alemanha, compartilhou sua angustiante experiência após a detenção de seu irmão Parsa, de 19 anos, em 6 de junho.

Najafi, que deixou o Irã há três anos e reside em Berlim, descreveu a apreensão de pertences pessoais por forças de segurança em sua casa em Isfahan. Desde então, a jovem vive com a incerteza sobre o paradeiro de seu irmão e a segurança de seus pais. "Nós não sabemos nada sobre o que aconteceu com ele", afirmou.

Perseguição histórica aos Baha'is

A fé Baha'i, que surgiu na metade do século XIX na antiga Pérsia, é considerada uma religião monoteísta mundial, mas não é reconhecida pelo regime muçulmano xiita do Irã, que considera seus seguidores hereges. Essa situação resultou em décadas de perseguição, com a comunidade Baha'i, a maior minoria religiosa não muçulmana do país, sendo alvo de discriminação severa.

De acordo com a Anistia Internacional, os Baha'is enfrentam a negação de oportunidades educacionais e profissionais, prisões arbitrárias e a confiscação de propriedades, além da profanação de cemitérios e locais sagrados. Recentemente, o número de Baha'is presos no Irã subiu para 65, uma preocupação expressa por Jascha Noltenius, comissário da comunidade Baha'i na Alemanha.

Apelo por apoio internacional

Noltenius relatou que, antes da guerra entre Irã e Israel, havia cerca de 20 prisioneiros Baha'is. A situação se agravou, com denúncias de tortura e simulações de execuções dentro das prisões. Ele teme que o regime iraniano possa intensificar a repressão a ponto de executar Baha'is, algo que não ocorre desde os anos 90.

Thomas Rachel, comissário alemão para a liberdade de religião, condenou a discriminação sistemática enfrentada pelos 300 mil Baha'is no Irã, destacando que a situação piorou ainda mais após o início do conflito no Oriente Médio. Ele e outros membros do parlamento alemão têm se mobilizado para chamar atenção para a situação dos Baha'is.

A comunidade Baha'i global, que conta com cerca de 6 milhões de membros em 200 países, continua a lutar contra a opressão. Najafi, que busca aumentar a conscientização sobre a situação de seus compatriotas, enfatizou a necessidade de lembrar os Baha'is encarcerados. "Muitas pessoas na Alemanha não têm ideia do que está acontecendo com os Baha'is no Irã", disse.

A incerteza que Najafi sente em relação ao seu irmão é palpável. "Nós simplesmente não sabemos o que está acontecendo com meu irmão. E essa incerteza é a parte mais difícil", concluiu.