A aprovação do vepdegestrant pela FDA em maio de 2026 pode ser considerada um marco na medicina, representando o primeiro medicamento da nova classe de protacs, que se destacam por destruir proteínas em vez de apenas bloqueá-las. Essa inovação pode transformar o tratamento de doenças que atualmente não têm opções eficazes.

O que são os protacs?

Os protacs, ou proteolysis targeting chimeras, são moléculas que atuam de forma diferente dos medicamentos convencionais. Enquanto a maioria dos fármacos atua bloqueando o alvo, os protacs se ligam a proteínas-alvo e as marcam para destruição, permitindo que uma única molécula de protac degrade múltiplas cópias de uma proteína. Isso representa um avanço significativo na capacidade de tratar proteínas que antes eram consideradas indesejáveis ou “indruggable”.

Desafios e desenvolvimentos na pesquisa

A ideia dos protacs foi concebida em 1998, quando os pesquisadores Craig Crews e Raymond Deshaies discutiram a possibilidade de utilizar as ligases de ubiquitina para direcionar a destruição de proteínas indesejadas. Após anos de pesquisa e desenvolvimento, Crews conseguiu criar protacs em tamanho suficiente para serem considerados como medicamentos, embora ainda sejam maiores do que as drogas convencionais.

Em 2013, Crews fundou a empresa Arvinas, que inicialmente focou em receptores hormonais em células cancerígenas. Os resultados dos testes clínicos com o vepdegestrant mostraram que pacientes com câncer de mama avançado sobreviveram mais do que o dobro em comparação com aqueles tratados com medicamentos convencionais.

Impacto e futuro dos protacs

A aprovação do vepdegestrant não apenas marca um avanço na terapia contra o câncer, mas também abre portas para que outras empresas explorem a degradação de proteínas indesejadas. Atualmente, cerca de 100 empresas estão desenvolvendo tecnologias relacionadas a protacs, e aproximadamente 80 ensaios clínicos estão em andamento.

Além disso, novas variações, como os riptacs, que conectam proteínas em células cancerígenas, estão sendo exploradas com sucesso em testes iniciais. Com a evolução dos protacs e a pesquisa em torno deles, é possível que novas opções de tratamento surjam, beneficiando milhões de pessoas com doenças complexas.