Um antidepressivo de baixo custo pode trazer alívio significativo para pessoas que enfrentam a fadiga persistente do long COVID, conforme um estudo global co-liderado pela Universidade McMaster. A pesquisa, que envolveu 399 adultos, demonstrou que a fluvoxamina, um medicamento amplamente utilizado para tratar depressão, reduziu a fadiga e melhorou a qualidade de vida em comparação com um placebo.
Resultados da pesquisa sobre a fadiga do long COVID
A fadiga é um dos sintomas mais comuns e debilitantes relatados por pacientes com long COVID. Para muitos, a exaustão é tão intensa que prejudica o trabalho, as responsabilidades familiares e as atividades diárias. Apesar da gravidade do problema, ainda existem poucas opções de tratamento respaldadas por evidências clínicas robustas.
“Esse é um passo importante para pacientes que buscam opções baseadas em evidências”, afirma Edward Mills, autor sênior e professor no Departamento de Métodos de Pesquisa em Saúde da McMaster. “A fluvoxamina mostrou benefícios consistentes e significativos, e, por já ser amplamente utilizada e bem compreendida, tem um claro potencial para uso clínico.”
O estudo foi realizado em parceria com pesquisadores do Canadá, Brasil e Estados Unidos, com locais de teste em Belo Horizonte e em várias cidades de Minas Gerais, Brasil. A pesquisa, intitulada REVIVE-TOGETHER, envolveu instituições como a Universidade de British Columbia, Stanford, Universidade de Pittsburgh, Duke, Georgetown e diversas instituições brasileiras.
Metodologia e eficácia do tratamento
O ensaio clínico incluiu 399 adultos no Brasil que relataram fadiga persistente por pelo menos 90 dias após uma infecção confirmada pelo SARS-CoV-2. Os participantes foram aleatoriamente distribuídos em três grupos, recebendo fluvoxamina, metformina (um medicamento comum para diabetes) ou um placebo durante 60 dias.
“Queríamos testar se dois medicamentos já disponíveis e acessíveis poderiam ajudar. Ambos tinham razões biológicas que sugeriam que poderiam ser eficazes contra a fadiga do long COVID, mas nenhum havia sido rigorosamente testado para esse fim em um ensaio clínico adequado”, explica Mills.
A fluvoxamina demonstrou ser mais eficaz do que o placebo na redução da fadiga, com uma análise estatística indicando uma probabilidade de 99% de que o medicamento fosse mais eficaz. Os participantes que receberam fluvoxamina também relataram melhorias na qualidade de vida em várias medidas. Por outro lado, a metformina não apresentou os mesmos resultados, apesar de pesquisas anteriores sugerirem que poderia reduzir o risco de desenvolver long COVID se administrada no início da infecção.
Os pesquisadores utilizaram um desenho de ensaio clínico adaptativo, permitindo que grupos de tratamento fossem encerrados precocemente quando a evidência se tornasse clara, resultando em conclusões mais rápidas sem comprometer a rigorosidade científica.
Perspectivas futuras e limitações
O long COVID continua a representar um desafio significativo para a saúde global, afetando cerca de 65 milhões de pessoas em todo o mundo. Como as terapias comprovadas ainda são escassas, a maioria das recomendações médicas foca em estratégias de suporte.
Os pesquisadores alertam que a fluvoxamina não é uma solução completa para o long COVID, dado que a condição pode envolver diversos sintomas e processos biológicos. Estudos adicionais serão necessários para identificar quais pacientes podem se beneficiar mais e entender melhor o funcionamento do medicamento.
“Este ensaio oferece aos clínicos a primeira evidência sólida de um medicamento que ajuda a reduzir a fadiga do long COVID. Pacientes buscam algo que possam experimentar hoje - e essa descoberta nos aproxima dessa realidade”, conclui Jamie Forrest, autor correspondente e pesquisador da Universidade de British Columbia.
Comentários (0)
Entre ou cadastre-se para comentar.