Um estudo recentemente publicado na revista Nature Ecology & Evolution revelou um mecanismo de defesa antiviral inédito nas anêmonas do mar, sugerindo que os animais podem ter evoluído mais de uma estratégia para enfrentar infecções virais. A pesquisa, liderada pelo doutorando Ton Sharoni e pelo professor Yehu Moran, da Universidade Hebraica de Jerusalém, em colaboração com pesquisadores da Universidade da Carolina do Norte em Charlotte, desafia suposições estabelecidas sobre a evolução do sistema imunológico.

Os vírus representam uma das ameaças mais persistentes enfrentadas pelos organismos vivos. Em humanos e outros vertebrados, as defesas antivirais dependem de uma proteína chamada MAVS, que ativa respostas imunes ao detectar invasores virais. No entanto, o estudo mostra que as anêmonas do mar utilizam uma proteína desconhecida, denominada CARDIB (CARD Inhibitor Binding protein), que, embora semelhante ao MAVS, exerce um papel oposto.

Uma defesa surpreendente

Segundo Moran, chefe do Departamento de Ecologia, Evolução e Comportamento da Universidade Hebraica, "tudo sobre o CARDIB sugeria que ele funcionaria como o MAVS. No entanto, descobrimos que ele faz exatamente o oposto, suprimindo as defesas antivirais".

Usando a edição genética CRISPR, os pesquisadores eliminaram o gene CARDIB das anêmonas e as expuseram a ameaças virais. Resultados inesperados mostraram que os organismos sem o CARDIB tornaram-se muito mais vulneráveis à infecção, com os vírus se multiplicando mais facilmente e as defesas antivirais falhando em ativar adequadamente.

Resultados além do laboratório

Os cientistas também testaram essa nova via antiviral em condições naturais, transferindo anêmonas geneticamente modificadas para mesocosmos marinhos na Carolina do Sul. Os resultados mostraram que as anêmonas sem CARDIB acumularam significativamente mais vírus do que as normais, destacando a importância dessa via em ambientes naturais.

O estudo sugere que a evolução não preservou uma única estratégia antiviral ao longo da história animal, mas sim que diferentes linhagens podem ter desenvolvido soluções moleculares distintas para detectar e combater vírus.