O futuro primeiro-ministro do Reino Unido, Andy Burnham, declarou que existe "algum espaço" para movimentações fiscais, durante uma entrevista à LBC. Burnham, que assumirá o cargo ainda este mês, sugeriu que o aumento das taxas sobre armazéns poderia financiar cortes de impostos para pubs e pequenos negócios nas ruas principais.

Embora tenha manifestado essa flexibilidade, o recém-eleito deputado por Makerfield reafirmou seu compromisso com as promessas do Partido Trabalhista de não aumentar o VAT, o imposto de renda e o seguro nacional, conforme estabelecido no manifesto eleitoral para 2024. Burnham defendeu sua credibilidade nas políticas econômicas, garantindo que não será "indisciplinado" com as finanças públicas ao assumir o cargo.

Propostas para o setor empresarial

Durante a entrevista, Burnham mencionou que a proposta de ajudar os negócios com a redução das taxas foi anunciada no mês anterior, durante sua campanha vitoriosa na eleição suplementar para Makerfield. Ele destacou que pubs, clubes e locais de música receberiam um corte de 20% nas taxas, enquanto pequenas empresas independentes de hospitalidade, lazer e varejo teriam o limite para pagamento de taxas elevado pela primeira vez desde 2017.

Esses cortes seriam financiados por aumentos nas taxas para grandes armazéns operados por empresas online, como a Amazon, além de direcionar esforços para os proprietários de imóveis comerciais vazios nas áreas centrais. Essa foi a primeira entrevista de Burnham após anunciar sua candidatura ao cargo de primeiro-ministro.

Desafios orçamentários e defesa

Burnham é o único candidato na corrida para suceder Sir Keir Starmer como líder do Partido Trabalhista e deve assumir o cargo em 20 de julho. Um dos principais desafios que enfrentará será a necessidade de financiar um aumento no gasto com defesa, anunciado recentemente por Starmer, que prevê um acréscimo de £15 bilhões, embora não tenha detalhado a origem desses recursos.

O novo premiê terá que encontrar pelo menos £4,7 bilhões em economias de outros departamentos ao preparar seu primeiro orçamento no outono. A líder conservadora Kemi Badenoch criticou Starmer, acusando-o de "deixar essa bagunça para seu sucessor" e questionou se Burnham concordaria em financiar o déficit.

Em resposta, Burnham afirmou que estava ciente do déficit, mas não participou de todas as discussões. Ele enfatizou a importância de enfrentar essa questão com seriedade, dada a mudança no cenário global e os novos desafios que surgem.

Sobre políticas de bem-estar, Burnham declarou que não fará "cortes drásticos nos níveis de benefícios" que possam agravar a situação das pessoas em dificuldades. Em vez disso, ele pretende reduzir os custos com benefícios por meio de melhorias no sistema educacional, oferecendo mais apoio a jovens em busca de qualificações técnicas e estágios para adolescentes de 16 anos.

O futuro primeiro-ministro também destacou a necessidade de suporte em saúde mental para os trabalhadores. Além disso, ele mencionou que ainda não decidiu quem será seu chanceler, em meio a especulações sobre a possível nomeação de Ed Miliband para o cargo.