Estudantes da Georgia Tech, liderados pela aluna Diya Godavarti, desenvolveram um modelo que promete melhorar a resposta a vazamentos químicos em ambientes fechados. O projeto, parte de um curso sobre equidade química, teve como foco a redução da exposição a substâncias perigosas, especialmente em comunidades vulneráveis.

Godavarti, que estava em seu segundo ano de Engenharia Química e Biomolecular, participou da aula do programa Vertically Integrated Projects (VIP), que integra estudantes em equipes de pesquisa de longo prazo. O trabalho resultou na elaboração de um modelo computacional que estima como vapores químicos, como o benzeno, se acumulam em espaços confinados, como caminhões-tanque. O estudo culminou na publicação do artigo "Modeling Time-Dependent Chemical Concentrations in Confined Spaces for General Safety Applications" na revista ACS Chemical Health & Safety.

Impacto na carreira e na segurança química

Para Godavarti, a experiência foi fundamental para definir seus objetivos profissionais. "Sempre estive motivada a continuar nesse projeto, pois a equidade química é algo que realmente me importa", afirmou. Ela planeja iniciar seus estudos de doutorado na Northwestern University neste outono.

A iniciativa surgiu da percepção de um descompasso entre o trabalho em laboratórios controlados e a realidade enfrentada por trabalhadores expostos a produtos químicos. A professora Pamela Pollet, membro da Escola de Química e Bioquímica da Georgia Tech, notou essa lacuna após consultar um projeto que envolvia a exposição acidental de trabalhadores a substâncias nocivas. "Havia uma desconexão entre o que fazemos com produtos químicos em ambientes controlados e como as pessoas interagem com eles no dia a dia", destacou Pollet.

Colaboração interdisciplinar e aplicação prática

Para preencher essa lacuna, Pollet se uniu a Jenny Houlroyd, gerente de saúde ocupacional do programa Safety, Health, and Environmental Services do Enterprise Innovation Institute (EI2). Houlroyd trabalha com empresas na Georgia para reduzir riscos no ambiente de trabalho e proteger a saúde dos funcionários. "Percebemos como esse trabalho pode ser isolado", observou Houlroyd. "Pesquisadores de segurança química e químicos muitas vezes operam separadamente, mas suas habilidades são complementares. Foi assim que surgiu a ideia da aula."

A turma de 20 alunos incluía estudantes de diversas áreas, como química, biologia e ciência da computação. Além da pesquisa, os alunos ouviram palestras de profissionais de diversas áreas, como jornalistas, advogados e formuladores de políticas, que também lidam com a segurança química.

O modelo desenvolvido pelos alunos tem como objetivo estimar rapidamente a exposição de uma pessoa a produtos químicos perigosos após um vazamento ou abertura de um recipiente em um espaço confinado. "Se você contratar um higienista industrial, levará tempo e será caro. Mas, se ocorrer um evento de vazamento químico, você precisa de dados de segurança imediatamente", explicou Houlroyd.

O time espera tornar o modelo amplamente acessível e criar um aplicativo de fácil utilização. Pollet e Houlroyd ressaltam que o projeto já demonstra o poder do aprendizado interdisciplinar. "Este projeto foi uma sobreposição muito interessante de nossos campos", observou Pollet. "Ajuda os alunos a entender cenários do mundo real de uma maneira que não pode ser replicada em uma sala de aula tradicional."

Houlroyd expressou orgulho pelos alunos: "Isso me deixa muito feliz, ver os alunos transformarem um grande problema em algo que a indústria pode usar é muito empolgante".