A Alemanha reiterou seu pedido para que a União Europeia envie uma força ao Líbano com o objetivo de substituir os capacetes azuis da ONU (UNIFIL), cuja retirada está prevista para o final deste ano. O ministro das Relações Exteriores, Johann Wadephul, fez a declaração na sexta-feira durante entrevista à emissora RedaktionsNetzwerk Deutschland, alertando para o risco de um 'vácuo de segurança' no sul do Líbano.

Proposta para evitar instabilidade

Wadephul enfatizou que a missão é necessária para facilitar a retirada das forças israelenses do sul do Líbano e, ao mesmo tempo, impedir que o Hezbollah retorne com suas atividades terroristas. Atualmente, as forças israelenses ocupam diversas áreas no sul do Líbano, de onde têm realizado ataques, justificando suas operações como direcionadas ao grupo armado apoiado pelo Irã, mesmo diante de um cessar-fogo.

Enquanto isso, o Hezbollah tem continuado a realizar ataques na fronteira com o norte de Israel. Em meio a esse contexto de hostilidades, a pressão dos Estados Unidos levou o Conselho de Segurança da ONU a concordar, no ano passado, com o término da missão de 48 anos da UNIFIL.

Debate sobre o futuro da segurança no Líbano

“Devemos avaliar na UE se podemos garantir que não haja um vácuo de segurança com um mandato europeu após a missão da UNIFIL”, afirmou Wadephul. A UNIFIL foi implantada em 1978, durante a primeira invasão israelense ao Líbano, e ao longo dos anos tem enfrentado questionamentos sobre sua eficácia, particularmente em relação à sua incapacidade de impedir a profunda incursão de Israel em território libanês durante o conflito com o Hezbollah.

Em maio, Israel avançou mais em território libanês do que em qualquer momento desde o término de sua ocupação de quase duas décadas no sul do Líbano, em 2000. Esse cenário alimentou o debate sobre qual mecanismo poderia substituir a UNIFIL para evitar futuros conflitos e oferecer alívio à população civil.

A proposta de uma missão da UE não é nova. O debate sobre o envio de uma missão ao Líbano após a retirada da UNIFIL já está em andamento há algum tempo. O Líbano expressou seu apoio a uma possível missão liderada pela UE. No entanto, autoridades em Bruxelas e fontes militares sugerem que qualquer missão desse tipo seria significativamente diferente do modelo de manutenção da paz da UNIFIL, provavelmente envolvendo apoio e treinamento para ajudar as forças armadas libanesas a preencher essa lacuna.

As declarações de Wadephul ocorrem em um momento em que o Líbano e Israel estão envolvidos em um processo mediado pelos EUA para encerrar a guerra. As duas partes concluíram na quarta-feira a sexta rodada de negociações em Roma, focadas em estabelecer 'zonas piloto' no sul do Líbano, a partir das quais as forças israelenses começariam a se retirar, em troca do desarmamento do Hezbollah.