Crianças se refrescam na piscina Hamilton Fish, em 18 de julho de 2017, no bairro Lower East Side, em Nova York. AP/Mary Altaffer, Arquivo A cena costuma ser diferente daquela mostrada em filmes: uma criança se afogando nem sempre grita, bate os braços ou consegue pedir ajuda. Em muitos casos, tudo acontece em silêncio — e em questão de segundos.
É por isso que médicos e especialistas em segurança aquática reforçam que a principal proteção para crianças perto da água continua sendo a vigilância ativa de um adulto. “Em casos de afogamento, segundos fazem toda a diferença”, afirma Rohit Shenoi, médico e autor de um novo alerta da Academia Americana de Pediatria (AAP). Um resgate rápido e o início da reanimação podem definir não apenas a sobrevivência, mas também reduzir o risco de sequelas permanentes.
Nos Estados Unidos, entre 4 mil e 5 mil pessoas morrem afogadas todos os anos. A maior parte dos casos envolve adultos em ambientes naturais, como rios, lagos e oceanos. Mas, proporcionalmente, o risco é especialmente alto para crianças: o afogamento é a principal causa de morte na faixa de 1 a 4 anos e uma das principais entre 5 e 14 anos.
Agora no g1 Atenção pode falhar Entre crianças pequenas, os acidentes acontecem com frequência em piscinas e nem sempre envolvem ausência de adultos. Muitas vezes, o problema é a falsa sensação de que alguém está observando. Foi o que aconteceu com Stewie Leonard, de 21 meses, durante uma viagem em família para a ilha de São Martinho, no Caribe, em 1989.
Mais de uma dúzia de pessoas estava reunida para comemorar o aniversário de 3 anos da irmã mais velha do menino. O pai, Stew Leonard, organizava a festa na área externa; a mãe, Kim, preparava um bolo dentro da casa. Outros familiares também circulavam perto da piscina.
Kim lembra que viu o filho do lado de fora e presumiu que o marido estivesse responsável por ele. “Nunca nos comunicávamos: ‘Você está olhando ele?’”, disse. “Quando todos estão olhando, ninguém está olhando.” Poucos minutos depois, a família percebeu que Stewie havia desaparecido.
O pai encontrou o menino dentro da piscina. A morte levou o casal a criar uma fundação voltada à prevenção de afogamentos, com financiamento de aulas de natação e campanhas de segurança. Mortes voltaram a subir As mortes acidentais de crianças por afogamento nos EUA diminuíram de cerca de 2 mil por ano na década de 1980 para menos de mil no início dos anos 2000.
A redução foi associada a uma combinação de fatores: campanhas de conscientização, ampliação do acesso a aulas de natação e regras de segurança, como a instalação de cercas ao redor de piscinas. Entre 2000 e 2019, autoridades de saúde americanas registraram queda de 38% nesses óbitos. Depois da pandemia de Covid-19, porém, a tendência mudou.
O número de crianças mortas por afogamento passou de 756 em 2019 para 865 em 2024, último ano com dados completos disponíveis. Especialistas apontam que a interrupção de aulas de natação e programas de formação de salva-vidas durante a pandemia pode ter contribuído para o cenário. Ao mesmo tempo, houve aumento no uso de piscinas sem supervisão adequada em alguns locais.
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