O produtor de cinema Harvey Weinstein não enfrentará um novo julgamento por estupro em Nova York. A decisão de arquivar o caso foi tomada nesta quinta-feira (25), após a acusadora, a cabeleireira e atriz Jessica Mann, manifestar que não tinha mais condições emocionais e físicas para testemunhar.
O processo, que se tornou emblemático da era #MeToo, se arrastava há oito anos e já havia passado por uma condenação anulada e dois julgamentos que não chegaram a um veredicto. A decisão foi baseada em uma carta de Mann lida em tribunal, onde ela expressou que o caso lhe trouxe "mais danos do que benefícios" e que a experiência judicial a deixou "fragmentada, silenciada, difamada e traumatizada".
Na carta, Mann revelou ter sofrido uma concussão pouco antes de seu depoimento e ter enfrentado dores de cabeça e outros sintomas durante o processo, o que culminou em um estado de "dissociação". Ela descreveu a situação como "um agravante humilhante para uma experiência já avassaladora".
O promotor distrital de Manhattan, Alvin Bragg, comentou sobre o caso, afirmando: "Para deixar claro, acreditamos no relato da Sra. Mann e em sua credibilidade como testemunha. Essa foi uma provação extremamente desgastante para ela, e ela jamais vacilou ao depor perante dois grandes júris e três júris de julgamento ao longo de oito anos. Agradecemos a ela por sua honestidade e por sua imensa coragem".
Embora a acusação tenha sido arquivada, Weinstein, de 74 anos, permanece preso. Ele aguarda a sentença em setembro por outra condenação de agressão sexual, que pode resultar em uma pena de até 20 anos. Após resolver suas pendências em Nova York, ele deverá cumprir uma pena de 16 anos de prisão na Califórnia por estuprar uma atriz italiana, tendo recorrido de ambas as condenações.
A defesa de Weinstein celebrou a decisão, reafirmando sua inocência e argumentando que todas as relações foram consensuais. O ex-produtor, que uma vez foi uma das figuras mais influentes do cinema, viu seu império desmoronar em 2017 com as denúncias que impulsionaram o movimento #MeToo.
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