Durante o Latitude Festival, em Suffolk, a poetisa Hollie McNish abordou a virginidade como um mito social que carrega um peso excessivo. Ao recordar sua própria experiência de perder a virginidade aos 19 anos, ela compartilhou suas inseguranças e a pressão que sentiu em relação a esse conceito.

McNish revelou que, após o ato, ficou diante do espelho por meia hora, esperando alguma transformação em seu ser. "A palavra virgem pode ter apenas seis letras, mas não há muitas outras que carreguem tanto poder", destacou para um público de centenas de pessoas.

O impacto da virginidade na sociedade

A poetisa, que vive em Cambridge com sua filha de 16 anos, considera que a virginidade é um conceito criado por homens em posições de poder, refletindo uma época que também justificava práticas como a escravidão e a apedrejamento. Para McNish, essa ideia foi utilizada para controlar, envergonhar e definir pessoas, especialmente mulheres.

Ela expressa a esperança de que os jovens possam desfrutar de seus corpos sem se sentirem menos puros ou envergonhados por terem relações consensuais. "Meu primeiro ato sexual foi agradável. Não doeu, como não deveria, desafiando a narrativa horrenda de que a dor é um marcador de pureza. Eu não perdi nada, exceto uma sandália", afirmou.

Trajetória e desafios na poesia

McNish, que se tornou uma das poetisas mais compartilhadas do Reino Unido, começou a escrever poemas aos sete anos. Ela recorda que sua primeira criação foi uma resposta à negativa de sua família em deixá-la ter um gato. "Escrever poesia sempre foi uma forma de lidar com as coisas e resolver questões", disse.

Após se formar em línguas modernas e medievais na Universidade de Cambridge, onde também obteve um mestrado em economia, McNish redescobriu sua paixão pela poesia ao participar de noites de open-mic. "Eu amava ler e escrever, mas não pensava em me tornar escritora. Com o tempo, as oportunidades foram surgindo e tornou-se meu trabalho em tempo integral", contou.

Embora tenha encontrado resistência no meio poético, com algumas de suas obras sendo consideradas simples, McNish continua a produzir e a apresentar suas criações. "Minhas poesias refletem exatamente como estou pensando. Quero que as pessoas as compreendam. Às vezes, me pergunto o que preciso fazer para ser chamada de poeta", disse.

Em sua nova coleção, "Virgin", a poetisa aborda temas como o envio de nudes e a experiência de ser mãe. Um dos poemas foi inspirado pelo medo que sentiu ao deixar sua filha em uma festa pela primeira vez. "Eu sabia que haveria álcool e me preocupei com o que ela poderia fazer", relatou.

McNish enfatiza que a mensagem central de sua obra é que a virginidade é uma ideia inventada para incitar vergonha e controle sobre os corpos das pessoas. "Ela não existe. Cada um decide quais experiências são mais significativas para si, e não algum líder de séculos passados", concluiu.