O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky enfrenta uma crise política após a decisão de não reter Mykhailo Fedorov como ministro da Defesa em 15 de julho. A troca, parte de uma reformulação do gabinete, provocou protestos diários em Kyiv, onde jovens apoiadores de Fedorov exigem sua reintegração, destacando seu papel na inovação tecnológica do país.

Fedorov, que rejeitou propostas de outros cargos no governo, afirmou que apenas três posições têm real influência no curso da guerra: ministro da Defesa, comandante-em-chefe das forças armadas ou presidente. A ex-secretária de Defesa, Alina Frolova, comentou que a ausência de um ministério significa a falta de orçamento e autoridade. Tal declaração levanta a questão se Fedorov se vê como um potencial rival de Zelensky.

Reações ao novo comandante e a estratégia de Zelensky

A escolha de Zelensky para substituir o comandante-em-chefe Oleksandr Syrskyi foi o general de brigada Mykhailo Drapatyi, de 43 anos, ex-comandante das forças terrestres e bem respeitado. O ex-conselheiro do governo, Yuriy Sak, afirmou que Zelensky consultou diversas figuras importantes do exército antes de tomar essa decisão, que foi bem recebida por muitos.

No entanto, apesar da nomeação de Drapatyi, a crise política persiste. Zelensky, que chegou ao poder em 2019 com uma imagem de dinamismo, parece não ter compreendido o desejo de muitos jovens ucranianos por líderes que reflitam seus valores. O deputado Oleksandr Merezhko, do partido Servant of the People, destacou a necessidade de heróis em um cenário político considerado corrupto e hipócrita.

Consequências da demissão de Fedorov e o futuro político

Especialistas sugerem que a demissão de Fedorov, que possui um status quase mítico entre os jovens, pode ter sido um erro estratégico de Zelensky. Merezhko comentou que a remoção do ex-ministro apenas aumentou sua popularidade, enquanto outros analistas questionam se sua reputação é justificada, já que ele herdou um contexto de capacidades militares já estabelecidas.

Com a Ucrânia enfrentando uma guerra prolongada, muitos argumentam que a população busca soluções tecnológicas, como drones, em vez de confiar em indivíduos conscritos. Contudo, há um consenso de que o país deve superar essa crise antes que o inverno chegue, preparando-se para possíveis novas ofensivas russas.

Zelensky, em mensagem no aplicativo Telegram, enfatizou a importância de se preparar para o inverno, enquanto a guerra continua a impactar a política interna. Apesar das dificuldades, especialistas acreditam que a Ucrânia permanece resiliente, com instituições que, apesar da pressão, continuam a funcionar.