Um verme que viveu há 555 milhões de anos, identificado como Spriggina floundersi, demonstrava uma preferência por se curvar para a direita, o que pode representar o mais antigo exemplo conhecido de lateralidade, ou "destreza".
Embora esses vermes não possuíssem membros e, portanto, não possam ser considerados canhotos ou destros nos moldes atuais, a tendência de favorecer um lado em detrimento do outro indica um sistema nervoso avançado.
Descoberta e Análise dos Fósseis
Esta característica, observada em organismos livres e móveis atualmente, não era acreditada como existente antes do Período Cambriano, que começou há cerca de 541 milhões de anos. O estudo foi conduzido por Scott Evans, do Museu Americano de História Natural, em Nova York, e sua equipe, que analisaram 100 espécimes fósseis do Spriggina floundersi, coletados na Austrália do Sul ao longo das últimas décadas.
Os vermes viveram durante o Período Ediacarano, quando a vida multicelular começou a se espalhar. Este período antecede a explosão Cambriana, marcada pela dramática diversificação da vida animal, quando muitos grupos de animais surgiram pela primeira vez.
Comportamento e Implicações Evolutivas
O Spriggina habitou um oceano raso há meio bilhão de anos e é considerado um forrageador que se movimentava próximo ao fundo do mar, se deslocando por meio de movimentos laterais. "Temos cerca de 50 espécimes de Spriggina que estão claramente curvados", afirma Evans. Ele observa que o número de vermes fossilizados curvados para a esquerda é o dobro em relação aos que se curvam para a direita, indicando que o animal realmente se curvava para a direita, pois os fósseis são impressões em espelho das criaturas, formadas quando tempestades os enterraram em areia.
“Isso parece ser estatisticamente significativo e corresponde ao que os biólogos encontram ao estudar a lateralidade em diferentes animais hoje”, diz Evans. Alguns espécimes apresentam múltiplas curvaturas tanto para a direita quanto para a esquerda, sugerindo que todos poderiam se mover em ambas as direções, o que faz sentido para evitar se mover em círculos.
Embora a maioria dos espécimes indique uma preferência pela direita, é difícil determinar se algum deles era canhoto. Evans compara a situação a contar quantas pessoas estão acenando com uma mão hoje, onde é provável que a maioria use a mão direita, mas não se pode afirmar quem é destro ou canhoto.
Essas descobertas revelam que muitas características fundamentais, como a capacidade de se mover, simetria bilateral e lateralidade, evoluíram durante o Ediacarano, segundo Evans. No Cambriano, os organismos desenvolveram essas bases para se tornarem mais complexos, como a adição de membros para uma locomoção mais eficiente, tornando-se "menos alienígenas e mais parecidos com os grupos principais de animais que conhecemos hoje".
“A presença de lateralidade em qualquer tipo de assimetria funcional, profundamente enraizada no registro fóssil, nos fornece informações importantes sobre como esses comportamentos evoluíram e quão antigos são”, conclui Russell Bicknell, da Universidade Flinders, na Austrália.
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