O Reino Unido está enfrentando uma onda de calor sem precedentes, com temperaturas que podem chegar a 37°C em partes do sul da Inglaterra. Este aumento acentuado nas temperaturas não só quebrará o recorde anterior para junho, como também segue um mês de maio extremamente quente. Cientistas alertam que essa tendência deve continuar nos próximos anos, classificando os novos recordes como 'extraordinários' e ressaltando a necessidade urgente de preparações para o calor extremo.

De acordo com Lizzie Kendon, professora de ciência climática da Universidade de Bristol e chefe de projeções climáticas do Met Office, "esperamos um aumento nas temperaturas e a quebra de recordes devido às mudanças climáticas". Ela destaca que a magnitude das quebras de recordes é particularmente surpreendente. Entre 2015 e 2024, o número de dias com temperaturas superiores a 30°C no Reino Unido mais que triplicou em comparação com a média de 1961 a 1990.

O recorde de temperatura mais alta do país, atualmente em 40,3°C, foi estabelecido em julho de 2022. Especialistas prevêem que, se o aquecimento global continuar em seu ritmo atual, o Reino Unido pode enfrentar temperaturas na casa dos 40°C por volta de 2050.

O impacto dessas altas temperaturas já é sentido, com um aumento nos casos de internação e mortes, além de grandes perturbações nas redes de transporte. O Comitê de Mudanças Climáticas (CCC), órgão consultivo independente do governo, criticou a falta de preparação do Reino Unido para essas novas condições, afirmando que as infraestruturas atuais foram projetadas para um clima que já não existe.

Apenas uma minoria das residências possui ar-condicionado, e sem ações urgentes, mais de 90% dos lares podem enfrentar superaquecimento durante ondas de calor extremas até a metade do século.