O aroma do amendoim cozido que permeia as ruas do bairro Queimadinha, em Feira de Santana, é um dos marcos da chegada das festividades juninas na segunda maior cidade da Bahia. Essa iguaria, que vai além do gosto típico das festas, é a principal fonte de renda para dezenas de famílias locais, sendo uma tradição que se perpetua por gerações.
Com o passar do tempo, a venda de amendoim deixou de ser uma atividade sazonal, tornando-se parte da rotina de muitos. O processo envolve desde o cozimento em grandes panelas até a comercialização nas ruas e em pontos de venda espalhados pela cidade.
Histórias de vida entrelaçadas com o amendoim
Adevaldo Moreira, conhecido como Vata do Amendoim, é um dos comerciantes mais antigos da região, atuando há 46 anos no ramo. Ele aprendeu o ofício com sua mãe e, segundo ele, a venda de amendoim é uma tradição familiar. "Foi ela quem me ensinou e já vem de geração. Hoje, meu filho e minha esposa também trabalham com isso", afirmou Vata.
A demanda pelo produto aumenta consideravelmente durante o mês de junho, quando ele se prepara para atender a inúmeras encomendas. "Acordo entre 3h30 e 4h da manhã para garantir que o amendoim esteja pronto para os vendedores logo cedo", contou.
Reconhecimento e impacto econômico
A venda de amendoim não é apenas uma tradição, mas também um pilar econômico para a comunidade. A secretária municipal de Trabalho, Turismo e Desenvolvimento Econômico, Márcia Ferreira, destacou a relevância histórica da atividade. "A comercialização do amendoim é uma tradição que acontece o ano inteiro", ressaltou.
Em 2007, a prefeitura inaugurou um galpão comunitário para organizar a atividade, que antes ocorria nas ruas. Embora atualmente o galpão esteja inativo devido a problemas de segurança, ele permanece como um símbolo da importância cultural e econômica da venda de amendoim em Queimadinha.