Para proteger as sequoias gigantes da Califórnia dos incêndios florestais extremos, cientistas afirmam que é necessário aumentar o uso de queimadas controladas, e não reduzi-las. Um estudo da Universidade da Califórnia, em Davis, revela que essas práticas podem ser essenciais para a sobrevivência dessas árvores milenares.

Impacto de incêndios extremos nas sequoias

Incêndios devastadores que ocorreram na Sierra Nevada, na Califórnia, em 2020 e 2021 resultaram na morte de milhares de sequoias gigantes. A pesquisa da UC Davis indica que a quantidade de árvores perdidas teria sido ainda maior se não fossem as queimadas prescritas realizadas anteriormente. Publicado na revista Nature Communications, o estudo analisou cerca de 26.400 sequoias e constatou que as árvores que passaram por queimadas controladas na última década tinham quase quatro vezes mais chances de sobreviver aos incêndios de 2020 e 2021.

“As queimadas prescritas são eficazes na redução da mortalidade das sequoias gigantes, mesmo em meio aos incêndios extremos atuais”, afirmou Dan Dixon, autor principal do estudo. “Se o objetivo é proteger as sequoias gigantes, o fogo controlado é uma ferramenta essencial disponível para os gestores.”

Características das sequoias e seu ambiente

As sequoias gigantes são algumas das maiores e mais antigas formas de vida na Terra, podendo pesar tanto quanto 15 baleias azuis e viver mais de 3.000 anos. Elas crescem apenas nas encostas ocidentais da Sierra Nevada, em um ambiente que é moldado por incêndios periódicos de baixa intensidade. Suas cascas espessas e copas elevadas oferecem proteção, enquanto incêndios menores ajudam a limpar a vegetação e criar condições propícias para o crescimento de novas sequoias.

Historicamente, muitos acreditavam que as sequoias maduras eram quase à prova de fogo, mas essa percepção mudou drasticamente após os incêndios de 2020 e 2021, que deixaram imagens devastadoras de bosques inteiros consumidos pelas chamas.

Resultados da pesquisa e suas implicações

O estudo revelou que as queimadas prescritas realizadas na última década reduziram as chances de morte das sequoias em cerca de 77%. As árvores em áreas tratadas apresentaram uma taxa de sobrevivência quase quatro vezes maior do que aquelas em locais não tratados. Simulações computacionais estimaram que as queimadas controladas evitaram aproximadamente 1.900 mortes de sequoias e poderiam ter salvado outras 3.900 árvores se todas as sequoias nas áreas afetadas tivessem recebido o mesmo tratamento.

A pesquisa enfatiza a necessidade de estratégias de conservação que incluam queimadas controladas, especialmente em um contexto de mudanças climáticas que aumentam a frequência e a severidade de incêndios florestais. “Este estudo é oportuno, dado o histórico de supressão de incêndios nessas florestas e o aumento da escala de desmatamento nos últimos anos”, destacou a professora Yufang Jin.