O CDT (Centro de Doenças Tromboembólicas), instalado no Hemocentro da Unicamp, iniciou uma pesquisa epidemiológica inédita no Brasil sobre a trombose venosa –doença caracterizada pela formação de um coágulo em um vaso sanguíneo, interrompendo o fluxo normal. A iniciativa vai realizar o registro epidemiológico em 3 grupos: adultos com trombose nos membros, adultos com câncer e crianças hospitalizadas. De acordo com a professora da FCM (Faculdade de Ciências Médicas) da Unicamp, Joyce Maria Annichino, coordenadora do CDT, o país não dispõe de informações detalhadas sobre a prevalência e as complicações do quadro.
“ Se você procurar dados brasileiros sobre a ocorrência de síndrome pós-trombótica nos pacientes com trombose na perna, não vai encontrar. Quantos dos pacientes que tiveram trombose tiveram um novo episódio no período de dois anos? Não temos esses dados.
No Brasil, qual a porcentagem de pacientes com câncer que têm trombose? Ninguém sabe ”, argumenta a pesquisadora. O LEVANTAMENTO A pesquisa estabeleceu uma rede com profissionais de 11 hospitais do SUS (Sistema Único de Saúde) localizados em 6 cidades paulistas: Campinas, São Paulo, Ribeirão Preto, São José do Rio Preto, Barretos e Botucatu.
As informações clínicas são inseridas na plataforma REDCap e amostras de sangue ficam armazenadas no Biobanco da universidade. As frentes de análise são divididas em: acompanhamento de 5.000 adultos com câncer durante 1 ano para registrar a ocorrência de trombose ou óbitos; monitoramento de pacientes com trombose venosa aguda em braços ou pernas por 2 anos; avaliação de crianças que receberam cateter venoso durante internações. A fase infantil já foi finalizada e diagnosticou quase 250 casos da doença em um total de mais de 1.000 ocorrências analisadas.
O projeto conta com o apoio da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) e da Pró-Reitoria de Pesquisa da Unicamp. LEGISLAÇÃO E PREVENÇÃO A ISTH (Sociedade Internacional de Trombose e Hemostasia) estima que 10 milhões de casos venosos sejam registrados anualmente no mundo, resultando em cerca de 100 mil mortes. No Brasil, o Ministério da Saúde contabilizou mais de 36.000 novos diagnósticos no 1º semestre de 2025 – uma média de 200 internações por dia.
A professora destaca os avanços com a sanção da Lei 15.448/2026. A norma estabelece um prazo de 180 dias para que os hospitais com internação criem comissões permanentes de prevenção. “ Isso é um marco em nosso país, pois muitos casos de trombose poderão ser evitados ”, celebra Annichino.
O CDT também promove ações lúdicas de conscientização, como a personagem de inteligência artificial Maria Clot, que divulga formas de evitar o problema. Entre as principais recomendações preventivas estão: praticar atividades físicas: exercitar-se de 3 a 4 vezes por semana; evitar o sedentarismo: não permanecer sentado por longos períodos, fazendo pausas para esticar as pernas; hidratação: beber bastante água para manter o sangue fluido; cortar o tabagismo: o cigarro inflama os vasos sanguíneos e prejudica a circulação; controlar o peso: a obesidade aumenta a pressão nas veias das pernas; atenção a hormônios: o uso de anticoncepcionais exige orientação médica rigorosa; profilaxia: em situações de alto risco (internações ou viagens longas), utilizar meias de compressão ou anticoagulantes prescritos.
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