A Fifa decidiu liberar o atacante Folarin Balogun para a partida das oitavas de final da Copa do Mundo contra a Bélgica, o que gerou uma forte reação da Uefa. Em 6 de novembro, a entidade europeia afirmou que essa medida "cruzou uma linha vermelha" e comprometeu a integridade da competição.

Balogun foi expulso na vitória dos Estados Unidos por 2 a 0 sobre a Bósnia e Herzegovina, em um jogo válido pelos 16 avos de final. O atacante recebeu cartão vermelho direto após acertar o jogador Tarik Muharemovic com as travas da chuteira, após marcar um dos gols que garantiu a classificação americana.

Conforme as regras da competição, o jogador deveria cumprir uma suspensão automática de uma partida. No entanto, a Fifa decidiu suspender a aplicação da punição por um período probatório de um ano, o que permitiu que Balogun jogasse nas oitavas.

De acordo com a agência "Associated Press", a decisão foi influenciada por um pedido da Casa Branca ao presidente da Fifa, Gianni Infantino, para revisar o caso.

A Uefa divulgou uma nota oficial classificando a decisão como "inédita, incompreensível e injustificável". A entidade argumenta que a suspensão automática após um cartão vermelho é um princípio do regulamento que não pode ser flexibilizado durante a Copa do Mundo.

“O futebol, como qualquer esporte, depende de regras que garantem uma competição justa, honesta e transparente. Neste caso, não há espaço para interpretação”, destacou a Uefa.

Reações de outras entidades

A Federação Belga também se manifestou contrária à decisão da Fifa e informou que está avaliando todas as possibilidades jurídicas após a liberação do atacante. O ex-presidente da Fifa, Sepp Blatter, criticou a medida em suas redes sociais, afirmando que cartões vermelhos "não são revertidos por telefonemas políticos", mas sim por regras e órgãos independentes. Blatter questionou a influência política no futebol.

O técnico da Inglaterra, Thomas Tuchel, também comentou sobre a situação após a expulsão de Jarell Quansah, ironizando sobre a possibilidade de Harry Kane pedir ajuda ao presidente dos Estados Unidos para reverter sua punição.

Base legal e precedentes

A decisão da Fifa foi fundamentada no artigo 27 do Código Disciplinar, que permite a suspensão total ou parcial de uma sanção em caráter probatório. A mesma regra já havia sido aplicada anteriormente no caso de Cristiano Ronaldo, que também teve sua suspensão suspensa antes do início da Copa do Mundo.

Em comunicado, a Fifa esclareceu que, caso Balogun cometa uma nova infração semelhante durante o período probatório de um ano, a suspensão será restabelecida, podendo haver uma nova punição pelo lance.

A Uefa finalizou seu comunicado expressando preocupação com a credibilidade do torneio, afirmando que a decisão cria um precedente que pode impactar a competição e a confiança no futebol como um todo.