A guerra entre Rússia e Ucrânia se intensificou no Mar Negro nesta quarta-feira (15), com ambos os lados realizando ataques a portos, embarcações e infraestrutura logística. Após um bombardeio russo na cidade portuária de Odessa, que resultou na morte de três pessoas e deixou outras três feridas, a Ucrânia respondeu com uma ofensiva contra navios russos.

De acordo com autoridades ucranianas, o ataque a Odessa, um importante centro de exportação, causou também danos a edifícios residenciais. O chefe da administração militar local, Serhiy Lysak, não forneceu detalhes sobre o armamento utilizado. Este ataque se insere em uma série de bombardeios russos que têm como alvo a infraestrutura portuária da região da Grande Odessa, considerada essencial para as exportações ucranianas durante o conflito.

Ucrânia confirma ataque a navios russos

Em resposta ao ataque em Odessa, a Ucrânia anunciou que drones ucranianos atingiram 20 embarcações russas durante a noite. Segundo Robert Brovdi, comandante das forças de drones de Kiev, dentre os alvos estavam 17 petroleiros, além de dois navios-tanque de gás e um rebocador. Esta operação amplia uma campanha que a Ucrânia tem realizado contra a logística marítima russa.

No dia anterior, Brovdi já havia informado que drones ucranianos atacaram 11 embarcações russas no Mar de Azov, incluindo cinco petroleiros e cinco cargueiros. Ele destacou que o número total de navios atingidos nessa região chegou a 116 em apenas nove dias, evidenciando a crescente intensidade das operações ucranianas.

Reações e implicações para o comércio agrícola

As ações ucranianas provocaram reações de Moscou, que acusou Kiev de tentar interromper uma das principais rotas de exportação agrícola da Rússia. O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, classificou os ataques ucranianos no Mar de Azov como “terrorismo, puro e simples”, alegando que não possuem um objetivo militar legítimo.

Por outro lado, uma fonte militar ucraniana afirmou que as Forças Armadas do país visam apenas alvos militares e estruturas que apoiem o esforço de guerra russo, excluindo embarcações civis de suas operações. Esse contexto de confrontos ocorre em um momento crítico para o comércio agrícola, uma vez que o Mar de Azov é uma rota vital para as exportações de grãos russos, representando cerca de um quarto do total exportado.

Fontes indicaram que a navegação na região permanece restrita desde 10 de julho, dificultando a entrada e saída de embarcações comerciais. O Ministério da Agricultura da Rússia admitiu que, se necessário, as exportações podem ser redirecionadas para portos do Mar Negro ou do Mar Báltico. Apesar das dificuldades logísticas, o governo russo afirmou que continuará a cumprir seus compromissos de exportação.

Enquanto isso, autoridades ucranianas alertam que os ataques aos portos da região de Odessa podem reduzir em até um terço a capacidade mensal de exportação de grãos da Ucrânia, ampliando os impactos econômicos da guerra para ambos os lados.