O presidente Donald Trump celebrou o 250º aniversário dos Estados Unidos no último sábado, com um discurso no National Mall que mesclou apelos ao patriotismo com críticas a ameaças ideológicas, tanto internas quanto externas. Durante o evento, que sofreu um atraso de quase duas horas devido a tempestades, Trump reiterou suas propostas de restrições ao voto e alertou sobre a possibilidade de avanço do comunismo no país.

Apelo à patriotismo e críticas ao comunismo

No discurso, Trump destacou conquistas americanas, incluindo vitórias em guerras, a chegada à lua e o voo dos irmãos Wright. Ele também fez um apelo ao Congresso para que aprovasse legislações que limitariam as cédulas enviadas pelo correio e exigiriam prova de cidadania para registro eleitoral. Em suas palavras, ele afirmou ter “eliminado” a capacidade militar do Irã e comparou a ameaça comunista a um câncer que deve ser extirpado rapidamente.

Um evento polêmico

Tradicionalmente, presidentes evitam aparições pessoais nas celebrações do Dia da Independência, mas Trump tem borrado a linha entre comemorações oficiais e política de campanha. Desde 1951, nenhum presidente dos EUA havia feito um discurso no National Mall nesta data, exceto Trump, que já havia realizado um evento semelhante em 2019.

Os visitantes enfrentaram longas filas e temperaturas que atingiram 39 graus Celsius para participar do evento. A onda de calor recorde levou ao cancelamento de vários desfiles e atividades na área. Além disso, autoridades ordenaram uma evacuação temporária devido à aproximação de tempestades, obrigando os espectadores a se abrigarem em museus e prédios governamentais.

Embora Trump tenha prometido um discurso longo para o evento, sua fala durou menos de 40 minutos, muito mais curta do que muitos de seus discursos anteriores. O evento também contou com a presença do grupo nacionalista branco Patriot Front, que marchou pela capital e utilizou o transporte público da região, embora a polícia não tenha registrado incidentes de violência.

A organização Freedom 250, vinculada à administração Trump, tem minimizado a participação de um grupo não-partidário estabelecido em 2016 para coordenar as celebrações do 250º aniversário, cercando parte do National Mall para um “Grande Estado Feriado Americano”, que inclui atrações como uma roda-gigante e exibições de grupos conservadores.

O evento gerou polêmica, com vários estados liderados por democratas optando por não enviar delegações e muitos artistas cancelando suas apresentações devido a preocupações com a politicização das comemorações. Uma pesquisa da Reuters/Ipsos revelou que a maioria dos americanos, incluindo três quartos dos democratas e metade dos republicanos, acredita que as celebrações do aniversário do país se tornaram excessivamente políticas.

Trump também tem tentado remodelar várias áreas da capital em preparação para as celebrações, com resultados mistos. Embora muitas fontes e estátuas tenham sido renovadas, a reforma de 15 milhões de dólares da piscina refletora do Lincoln Memorial enfrenta problemas, com câmeras de segurança e soldados vigiando sua pintura descascada e águas poluídas.