As bets tomaram um espaço gigantesco no dia a dia do Brasil. Mesmo que você não seja um apostador, a propaganda está na traseira dos ônibus, em outdoors, nos intervalos comerciais, nas camisas de times e até como patrocinadoras de telejornais. Virou uma febre, não podemos negar.
E, como febre, na saúde, é sinônimo de preocupação, aqui a palavra terá o mesmo significado, já que o vício em apostas tem ganhado cada vez mais adeptos e ultrapassado o campo da conscientização para entrar no da saúde pública. Recentemente, o Jornal Opção mostrou que, em 2026, a quantidade de atendimentos de pessoas com ludopatia na rede pública já é mais que o dobro da registrada no ano passado. De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), já são 120 pessoas que buscaram atendimento por vício em apostas, contra 50 registrados em 2025.
Em todo o país, quase 20 mil pacientes já foram cadastrados nacionalmente em serviços públicos de saúde mental para tratamento da dependência em apostas. O número pode ser ainda maior e demonstra que, por mais que existam ações voltadas a dificultar o acesso das pessoas às casas de apostas, os resultados ainda não chegaram na mesma proporção. Recentemente, o ministro da Fazenda do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Dario Durigan, afirmou que o governo brasileiro precisa tratar as bets como trata o cigarro.
A fala foi dada em um contexto no qual defendeu que o governo brasileiro precisa continuar ampliando a regulamentação e a tributação das casas de apostas com o intuito de desestimular o uso desses serviços pela população. A comparação é interessante: foi feita uma severa campanha para desestimular o tabagismo, que trouxe um efeito positivo ao longo das últimas décadas, passando de 34% da população brasileira fumante, em 1989, para menos de 10% na década de 2020. Entretanto, o principal desafio tem sido as novidades que surgem ao longo do tempo, como os vapes e os cigarros eletrônicos.
Com diferentes sabores, eles têm se tornado atrativos, inclusive entre os mais jovens. O Brasil se tornou referência para a Organização Mundial da Saúde (OMS) no combate ao tabagismo. As campanhas também se atualizaram ao longo do tempo.
No início, as carteiras de cigarro apostavam em uma ênfase visual e dramática nos malefícios diretos à saúde, como câncer de pulmão, infarto e mutilações. As imagens eram impactantes. Com o passar do tempo, a abordagem ganhou um viés mais positivo, destacando os ganhos na qualidade de vida, no bem-estar e em ambientes livres da fumaça.
Isso foi necessário porque, por muitos anos, o hábito de fumar era tido como algo requintado e que imprimia respeito perante a sociedade. Não apenas o cigarro. O álcool também.
Quem nunca viu aquela cena de filme ou novela em que um diálogo mais tenso entre pessoas de determinado status social tinha como elementos de cenário um cigarro e um copo de uísque? As propagandas de cigarro da época também exploravam a paixão do público por determinado esporte. Na década de 1980, o automobilismo estava em alta e, claro, pelo seu alcance, houve muito investimento das marcas para estarem nos carros que competiam e também durante os intervalos das corridas.
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