Mojtaba Khamenei tornou-se o novo líder supremo do Irã após a morte de seu pai, o aiatolá Ali Khamenei, em um ataque aéreo dos Estados Unidos em 28 de fevereiro de 2026. O sepultamento de Ali Khamenei, realizado em 9 de março, ocorre em meio a uma escalada de conflitos entre o Irã e os EUA, após meses de trégua na guerra que já se arrasta por quatro meses.

Desafios na nova era política do Irã

Com a morte de Ali Khamenei, o Irã entra em uma nova fase política, marcada por um legado contestado após 37 anos de governo. Mojtaba Khamenei, que estava presente durante o ataque que resultou na morte de seu pai, permaneceu fora da vista pública e sofreu ferimentos significativos. Ele é o terceiro líder supremo da República Islâmica desde a revolução de 1979.

Esse processo de transição não se resume apenas a uma mudança na liderança, mas também reflete uma transformação gradual nas estruturas de poder que se consolidaram durante o governo de seu pai. Segundo o analista político Reza Talebi, enquanto Ali Khamenei reestruturou o sistema político, a influência dos clérigos e seminários xiitas diminuiu, dando lugar a instituições de segurança e redes políticas associadas ao líder supremo.

Impacto nas instituições e no cenário político

A mudança na liderança também afeta as instituições eleitas, com eleições presidenciais se tornando cada vez mais limitadas a um quadro político definido. Talebi observa que, embora presidentes tenham conseguido priorizar certas questões internas, suas ações em áreas estratégicas, como política externa e programa nuclear, foram restringidas.

Durante os seis dias de luto oficial, nenhum dos três ex-presidentes vivos do Irã participou das cerimônias, com as imagens oficiais destacando representantes do aparato de segurança. O atual presidente, Masoud Pezeshkian, é visto como alguém com quem Mojtaba Khamenei pode contar em questões estratégicas, especialmente em meio ao conflito em andamento com os EUA e Israel.

Recentemente, um memorando de entendimento foi acordado entre EUA e Irã, mas a escalada de tensões no Estreito de Ormuz levanta incertezas sobre o futuro das negociações. O Irã considera o controle dessa passagem estratégica vital para suas negociações, enquanto a Guarda Revolucionária, fortalecida pela guerra, se torna uma força política ainda mais influente.

A disputa interna pelo poder pode se intensificar, especialmente entre facções moderadas e as forças dominantes dentro da Guarda Revolucionária. A forma como Mojtaba Khamenei lidará com essa dinâmica interna e se conseguirá unir a elite política tradicional ao seu redor será crucial para os rumos futuros do Irã.