Na noite da última terça-feira (24), a Venezuela foi abalada por dois terremotos com magnitudes de 7,2 e 7,5, considerados os mais fortes registrados no país desde 1900. O professor e escritor Rafael Victorino Muñoz, de 52 anos, residente no centro de Valência, viveu momentos de grande apreensão durante os tremores, que ocorreram com menos de um minuto de diferença.
Enquanto assistia ao jogo do Brasil contra a Escócia, Rafael sentiu o chão tremer e ouviu um barulho vindo da terra. "Foi um momento de incerteza: deveria correr para a rua ou me abrigar?", contou. Ele descreveu a sensação como assustadora, afirmando que o primeiro tremor durou cerca de um minuto, embora tenha sido, na verdade, uma sequência de dois eventos sísmicos.
Valência, localizada a aproximadamente duas horas de carro da capital Caracas, amanheceu deserta no dia seguinte. "As pessoas estão preocupadas e a cidade está vazia", observou Rafael, que encontrou ruas sem movimentação e estabelecimentos fechados, já que as atividades escolares e públicas foram suspensas.
O professor relatou que a comunicação foi severamente afetada, com quedas de energia e congestionamento nas linhas telefônicas. Ele não conseguiu terminar de assistir ao jogo, em meio ao caos gerado pelos tremores.
Reações e consequências dos tremores
Rafael destacou que só percebeu a gravidade da situação ao ver o comportamento de seu gato, que corria desesperado pela casa em busca de abrigo. O temor foi compartilhado por outros moradores, que também puderam ouvir gritos de pânico durante os abalos.
Os terremotos resultaram em 188 mortes e 971 feridos, além de provocar desabamentos e destruição em várias áreas do país. O evento sísmico mais forte antes desses abalos ocorreu em 1900, conhecido como o terremoto de San Narciso, que deixou 21 mortos e causou considerável destruição.
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