O intenso calor que atingiu o Reino Unido nas últimas semanas tem impactado severamente o ambiente escolar, com salas de aula registrando temperaturas superiores a 40°C. Professores relatam que tanto alunos quanto funcionários têm sofrido de insolação, náuseas e dores de cabeça.

Educadores têm se esforçado para garantir a segurança dos alunos, cobrindo crianças menores com toalhas molhadas enquanto estão deitadas no chão, e fornecendo bandejas de água para os alunos mais velhos, que podem colocar os pés. O aprendizado, segundo os professores, se torna quase impossível em dias tão quentes, com a atenção e o comportamento dos alunos se deteriorando rapidamente.

Alguns docentes e estudantes desmaiaram, enquanto outros relataram ter adquirido ventiladores e cortinas com recursos próprios para tentar amenizar o calor. Uma professora de escola primária descreveu a situação: “Todos estavam deitados ou sentados no chão com suas garrafas de água, suando, reclamando e se sentindo cansados, [queixando-se de] dores de cabeça e náuseas. Os adultos mal conseguiam lidar com a situação e a maioria das crianças estava chamando por suas mães e pais. Não havia aprendizado, apenas sobrevivência.”

Estruturas escolares inadequadas

As instalações de muitas escolas não são adequadas para lidar com o calor extremo, apresentando pouca ou nenhuma sombra e muitas janelas de vidro. Muitas dessas edificações são antigas e mal isoladas, com gramados artificiais ou concreto nos parquinhos, que amplificam o impacto do calor. Além disso, diversas escolas não possuem ar-condicionado.

Professores relataram que alunos e colegas se sentavam no chão de qualquer sala que tivesse sombra, com as luzes apagadas. Em maio, conselheiros climáticos do governo afirmaram que o ar-condicionado deveria ser instalado em todas as escolas dentro de 25 anos, ressaltando que o país foi “construído para um clima que não existe mais”.

Impacto econômico e necessidade de ação

O Reino Unido entrou em sua terceira onda de calor do ano nesta semana, com temperaturas chegando a 35°C e previsão de persistência por 10 dias. Essa onda de calor já levou ao fechamento ou fechamento parcial de mais de 1.000 escolas na Inglaterra e no País de Gales, conforme dados compilados pela PA Media. Estatísticas do Departamento de Educação (DfE) indicam que uma em cada cinco sessões escolares na Inglaterra foi perdida, marcando a maior taxa de ausência diária até o momento no ano letivo de 2025-26.

Especialistas alertam que o fechamento de tantas escolas pressiona não apenas as comunidades, mas também a economia. O grupo Round Our Way estimou que o custo econômico da onda de calor em junho variou entre £100 milhões e £200 milhões, afetando pais que precisaram faltar ao trabalho e a comunidade em geral.

Roger Harding, co-diretor do Round Our Way, enfatizou que não pode ser deixado a cargo de escolas e professores lidar com os desafios da crise climática. “Precisamos ver um plano do governo para proteger as pessoas, incluindo crianças nas escolas, quando o tempo extremo ocorrer”, disse.