Caracterizações fiéis, sem medo de abraçar a galhofa e o ridículo do material original, não são suficientes para salvar "Street Fighter" do maior pecado que uma adaptação de uma série clássica de games de luta poderia cometer. O filme estreia nesta quinta-feira (15) com combates sem alma que nunca empolgam, esmagados pelo exagero do número de personagens do jogo que dão as caras – e desperdiça um bom elenco em cenas picotadas. Não deixa de ser uma pena.
Não só porque não é preciso muito para conseguir uma adaptação agradável do gênero, como bem prova o eterno e paupérrimo "Mortal Kombat" (1995), mas porque há vislumbres de graça. A química e o carisma do trio de protagonistas, os bons toques de humor, o uso apropriado dos golpes especiais e a qualidade da animação escolhida para narrar o passado – tudo indício do que poderia ter sido. Mas não há visão criativa que resista a uma enxurrada de lutadores desnecessários, enfiados na narrativa sem razão ou motivação – por mais inspiradas que sejam algumas das escalações.
Imperfeito O roteiro coescrito pelo diretor Kitao Sakurai ("Bad trip") conta a história da relação entre dois lutadores de artes marciais afastados após crescerem juntos – e do torneio criado por um ditador com planos de roubar os poderes de um deles. Só não dá para falar que "foca" nesse relacionamento, porque foco é tudo o que falta à trama. No meio do caminho, precisa encontrar espaço para mostrar uma agente da Interpol em busca de vingança, para a relação afetuosa entre um dos protagonistas com seu agente covardão, e para o demônio misterioso que ameaça a todos das sombras.
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