Cientistas da Universidade de Stellenbosch, na África do Sul, anunciaram a descoberta de um novo gênero de bactéria do solo pertencente ao filo Acidobacteriota, o primeiro descrito no sul da África. A nova espécie, chamada Dedyshia acidiphilia, foi isolada de amostras de solo coletadas na Reserva Natural Kogelberg, localizada na província do Cabo Ocidental.
Embora as Acidobacteriota sejam uma das bactérias mais abundantes em solos ao redor do mundo, apenas uma fração delas foi cultivada e descrita formalmente. O achado foi publicado recentemente no International Journal of Systematic and Evolutionary Microbiology.
Coleta e Cultivo de Amostras
A Dra. Janca Pieters, pós-doutoranda no Departamento de Microbiologia da universidade e primeira autora do artigo, explicou que foram coletadas diversas amostras de solo em diferentes locais da reserva para capturar a diversidade natural da comunidade microbiana do solo. “O mais empolgante é que cada amostra de solo contém milhares de espécies bacterianas, muitas das quais nunca foram cultivadas ou descritas. Usando técnicas de cultivo especializadas, conseguimos às vezes cultivar organismos que permaneceram ocultos até agora, como a Dedyshia acidiphilia”, afirmou.
As Acidobacteriota são conhecidas por seu crescimento extremamente lento e frequentemente requerem condições de nutrientes escassos que se assemelham ao solo onde naturalmente habitam. Essas condições, assim como as interações com outros microrganismos, são difíceis de reproduzir em laboratório.
“Encontrar o meio de cultivo adequado envolve muita paciência e otimização. Algumas Acidobacteriota podem levar meses ou semanas, em vez de dias, para produzir colônias visíveis”, acrescentou Pieters. No caso da D. acidiphilia, o processo levou quase um mês.
Importância da Descoberta
A Prof. Karin Jacobs, especialista em ecologia microbiana e autora principal do estudo, destacou a relevância da descoberta: “Isso representa um avanço significativo no nosso conhecimento sobre espécies raras em solos que contribuem para ciclos importantes de nutrientes do solo”.
Pieters complementou que essa descoberta evidencia que os solos sul-africanos, especialmente em regiões de alta biodiversidade como a Região Florística do Cabo, ainda guardam uma quantidade enorme de diversidade microbiana inexplorada. “Com métodos de cultivo aprimorados, muitas outras bactérias desconhecidas provavelmente ainda aguardam para serem descobertas”, disse.
Agora que a bactéria foi formalmente descrita e nomeada, o próximo passo é investigar seu papel ecológico no solo. “Queremos entender quais nutrientes ela utiliza, como interage com outros microrganismos e qual é sua contribuição para o ciclo de nutrientes no ecossistema fynbos”, explicou Pieters.
O genoma da nova espécie também pode fornecer pistas sobre genes que podem gerar enzimas ou vias metabólicas inovadoras, com possíveis aplicações futuras em biotecnologia, agricultura ou ciência ambiental.
A nova bactéria foi nomeada em homenagem à microbiologista russa Dra. Svetlana Dedysh, do Instituto Winogradsky de Microbiologia, em reconhecimento às suas contribuições significativas na descoberta e descrição de isolados novel de Acidobacteriota.
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