No dia em que dois terremotos devastadores atingiram a Venezuela, Andreina Valerio correu do trabalho para buscar seu filho de quase dois anos, Santiago, que estava com seu parceiro, Ramsés Mendoza, na casa de seus sogros em La Guaira. Ao chegar, encontrou o prédio em ruínas, e seu cunhado, Samuel Mendoza, estava escavando os escombros do que antes era seu lar.
Andreina, ao falar comigo em frente ao prédio desmoronado, revelou que seu filho e seu parceiro ainda estavam presos sob os escombros, junto com a mãe, o pai, os avós e a irmã de Ramsés. Apesar da angústia, ela não perdeu a esperança. "Eu ainda acredito que meu filho está vivo", disse Andreina. "Eu tenho fé de que ele vai superar isso, assim como sua família."
Busca por sobreviventes
Samuels mencionou que também havia outras crianças presas, incluindo um menino de nove anos chamado Lucas e uma menina de três anos chamada Aranza. Equipes de resgate do El Salvador e da Espanha chegaram ao local, mas ainda não conseguiram acessar os escombros, e ninguém havia sido resgatado até aquele momento.
Com o passar das horas, vizinhos começaram a ajudar, e voluntários de outras partes da Venezuela chegaram para oferecer apoio. A situação em La Guaira era alarmante, com muitos se revezando em busca de sobreviventes. A região foi gravemente afetada, com mais de 1.400 estruturas prejudicadas, segundo dados oficiais.
Desafios no resgate
O presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Jorge Rodríguez, classificou os terremotos como "o evento mais desastroso que esta república sofreu nos últimos 123 anos", com um saldo oficial de 1.430 mortos e 3.238 feridos. No entanto, dezenas de milhares ainda estão desaparecidos, e os serviços de emergência trabalham incessantemente.
A interim presidente Delcy Rodríguez anunciou que 14.000 agentes foram enviados para a região, que foi "militarizada" para garantir a segurança. No hospital em Caracas, médicos relataram que pelo menos 600 feridos foram recebidos, muitos com fraturas e traumas psicológicos.
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