O show de intervalo da Copa do Mundo de 2022, que ocorrerá no domingo durante a final entre Espanha e Argentina, foi idealizado por Chris Martin, vocalista do Coldplay. Em conversa com Hugh Evans, CEO da Global Citizen, Martin sugeriu a ideia de realizar a primeira apresentação do tipo na história do torneio. Evans, que apoiou a proposta, entrou em contato com Gianni Infantino, presidente da FIFA, que já tinha a mesma ideia e é fã da banda.

O evento contará com uma apresentação de 11 minutos que incluirá artistas como Justin Bieber, Madonna, BTS e Shakira, além do Coldplay e um coral da escola PS22, de Staten Island. A expectativa é que milhões de espectadores assistam ao espetáculo em diversos locais ao redor do mundo. O show também faz parte de uma campanha para arrecadar 100 milhões de dólares para os esforços de educação juvenil da Global Citizen, com a FIFA doando um dólar de cada ingresso vendido durante o torneio e Shakira contribuindo com royalties de sua música “Dai Dai”, em colaboração com Burna Boy.

Reações à inclusão do show

Apesar do grande lineup, a inclusão de um show de intervalo na Copa do Mundo não agrada a todos os fãs de futebol. Muitos torcedores expressaram ceticismo em relação à necessidade de uma apresentação desse tipo, argumentando que o torneio nunca teve um show de intervalo e que isso poderia ser visto como uma tentativa de “americanização” do evento, especialmente em um contexto onde as apresentações são associadas ao Super Bowl. Outros aspectos, como as “pausas para hidratação”, também foram criticados como estratégias para atrair publicidade.

Tiffany Naiman, diretora do Berry Gordy Music Industry Center da UCLA, observa que a Copa do Mundo sempre teve uma identidade musical centrada em um hino icônico e uma cerimônia de abertura que reflete a cultura da nação anfitriã. Ela ressalta que a introdução de um espetáculo com artistas como Madonna e Justin Bieber pode transmitir a impressão de que a FIFA está importando uma sensibilidade televisiva americana.

Logística e produção do show

Tom Cruise também está programado para aparecer na cerimônia de encerramento, seguindo sua participação na cerimônia de fechamento das Olimpíadas de 2024 em Paris. A produtora Lee Rolontz explicou que, apesar do desafio de administrar o tempo, a equipe dividirá o show em “capítulos”, com cada artista tendo cerca de 1 minuto e 45 segundos para se apresentar. A logística é complexa, pois a FIFA exige que o campo mantenha sua integridade durante o evento.

Para garantir que a grama não seja danificada, a equipe de produção consultou especialistas em manutenção de campos da FIFA e o diretor de campo da NFL, Nick Pappas. Durante o show, o campo será coberto, e todos os equipamentos utilizados foram projetados para não causar danos. Rolontz acredita que o foco em artistas globais distingue o espetáculo das apresentações do Super Bowl, enfatizando que o evento visa unir o mundo em torno de uma causa.

Embora a inclusão de um show de intervalo possa ser vista como uma resposta ao clima político atual, Rolontz afirmou que o evento não tem intenção política. No entanto, a professora Isra Ali, da NYU, sugere que o contexto político não pode ser ignorado e que futuras edições podem buscar se distanciar da comercialização excessiva associada à cultura americana.