Quando estava no sexto ano do ensino fundamental, Ana Carolina Gino se encantou em montar, com os colegas da aula de robótica, uma maquete móvel do sistema solar. Ela era bolsista na escola do Sesi (Serviço Social da Indústria) na região administrativa de Taguatinga (DF). Uma década depois, aos 23 anos, ela celebra que o mundo deu voltas em seu destino.

“Trabalho hoje como coordenadora de suporte a sistemas da maior fintech e ecossistema voltado para a energia solar do Brasil”, disse à Agência Brasil . Ela lembra, naquela curiosa adolescência estudantil, ter feito o Sol e os planetas girando em velocidades diferentes no seu próprio eixo. Era uma realidade muito distante para crianças periféricas como ela.

“Esse foi o impacto literalmente da minha vivência na escola do Sesi para a minha carreira e também para a escolha de ter ido para a área de tecnologia”. Histórias como a dela, de mudança de perspectivas, fazem parte de uma instituição que nasceu há exatos 80 anos (em 1º de julho de 1946) logo depois do final da 2ª Guerra Mundial. Atualmente, o Sesi conta com uma rede escolar com 468 unidades em 377 cidades, das quais 396 são de ensino regular, 71 são voltadas para Educação de Jovens e Adultos (EJA, que é gratuito) e uma de ensino superior.

“Prioritariamente, a gente nunca deixou de atender o filho do trabalhador da indústria, inclusive com gratuidades e descontos de mensalidade”, destacou o presidente do Conselho Nacional do Sesi, Fausto Augusto Junior Ele explica que atualmente mais de 70% dos trabalhadores da indústria tem ensino médio completo. 390 mil matrículas Nas escolas do Sesi, no ano passado, foram registradas mais de 390 mil matrículas na educação básica. São nove mil alunos da educação infantil, 166 mil do fundamental, 85.2 mil do médio e 128,9 mil da EJA.

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O professor Paulo Freire (patrono da educação brasileira), por exemplo, foi funcionário efetivo do Sesi por 19 anos a partir de 1947. Ficou fora a serviço do governo federal para implementar o método revolucionário de alfabetização, que acabou sendo cancelado pelo golpe militar de 1964. História Segundo contextualiza o presidente do Conselho Nacional do Sesi, em 1946, a maior discussão era sobre como o país começaria um período de industrialização e urbanização.

Fausto Augusto conta um pouco da história do Sesi- Paulo Pinto/Agência Brasil “Significava mudança do perfil do trabalhador, reorganização das relações de trabalho e nascia a ideia de que cada setor deveria ter um serviço social”, explica Fausto Augusto Junior. A ideia foi levantada por empresários liderados por Roberto Simonsen. O objetivo, segundo ele, era garantir melhorias nas condições de vida para o trabalhador da indústria.

“Esse é um dos momentos em que o Brasil passa a ter um debate mais sério e efetivo sobre o que chamaremos depois de direitos sociais”, afirma. A ideia tinha apoio dos sindicatos patronais e dos trabalhadores. Entre os desafios daquele momento do pós-guerra estava o país ter mais da metade da população em situação de analfabetismo.