Classificada para as quartas de final da Copa do Mundo de 2026, a seleção do Marrocos alcançou um feito inédito: tornou-se a primeira equipe a iniciar um jogo da competição sem qualquer jogador nascido no país. Essa marca foi registrada em 14 de junho, na partida contra a seleção brasileira.
A escalação que iniciou aquele jogo foi composta por:
- Yassine Bounou (Bono), goleiro — Montreal (Canadá);
- Achraf Hakimi, lateral — Madri (Espanha);
- Yunis Abdelhamid, zagueiro — Toulouse (França);
- Chadi Riad, zagueiro — Palma de Mallorca (Espanha);
- Noussair Mazraoui, lateral — Leiderdorp (Holanda);
- Neil El Aynaoui, meia — Nancy (França);
- Ayyoub Bouaddi, meia — Senlis (França);
- Samir El Mourabet, meia — Estrasburgo (França);
- Chemsdine Talbi, atacante — Sambreville (Bélgica);
- Bilal El Khannouss, atacante — Molenbeek-Saint-Jean (Bélgica);
- Ismael Saibari, atacante — Terrassa (Espanha).
Diáspora como estratégia
Esse feito reflete uma política que tem sido construída ao longo de 15 anos. Em 2009, após uma série de fracassos da seleção, o rei Mohammed VI idealizou um projeto para reformular o futebol do país. Um dos pilares desse projeto é o monitoramento sistemático de jogadores com ascendência marroquina que nasceram e se desenvolveram na Europa.
A Federação Real Marroquina de Futebol (FRMF) mantém uma rede estruturada de captação, tendo como pano de fundo a diáspora africana. Estima-se que até 5 milhões de pessoas com ascendência marroquina vivam fora do país, a maioria na França, na Espanha e na Bélgica. Dos 26 convocados para a Copa de 2026, 19 nasceram no exterior, com 15 deles oriundos desses três países.
O processo começou a ganhar forma sob o comando do técnico francês Hervé Renard, que, entre 2016 e 2018, convenceu jogadores como Hakimi, Amrabat e Mazraoui a defender a seleção marroquina. A equipe passou a se antecipar às federações europeias na disputa por jovens promessas, conseguindo, em muitas ocasiões, vencer essa corrida.
COPA DO MUNDO
A Copa do Mundo é um evento esportivo realizado a cada quatro anos pela FIFA, com fins lucrativos. As seleções se classificam por meio de eliminatórias, e a comissão técnica, bem como o elenco de cada equipe, são escolhidos por entidades privadas.
No Brasil, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) é a responsável por definir o treinador e os jogadores convocados. A CBF é uma organização privada, sem vínculos diretos com o governo federal, o que significa que o governo não influencia na escolha do time que participa do torneio.
Assim, a Copa do Mundo não representa o país, mas sim uma equipe de futebol selecionada por uma entidade privada.
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