Os seis candidatos a secretário-geral da ONU: Michelle Bachelet (Chile), María Fernanda Espinosa (Equador), Rafael Grossi (Argentina), Rebeca Grynspan (Costa Rica), Carolyn Rodrigues Birkett (Guiana) e Macky Sall (Senegal). Mark Gart/ONU; Manuel Elías/ONU; Loey Felipe/ONU; Jean Marc Ferré/ONU A ONU realiza nesta quinta-feira (23) um debate público com os candidatos ao cargo de secretário-geral na sede das Nações Unidas, em Nova York. Ao todo, seis candidatos disputam a sucessão de António Guterres, cujo segundo mandato termina em 31 de dezembro de 2026.

✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Após uma década à frente das Nações Unidas, Guterres deixa o cargo ao fim do último mandato permitido. Os seis concorrentes à sucessão apresentam, nesta semana, suas propostas em debates públicos promovidos pela organização. O próximo secretário-geral assumirá em um dos momentos mais delicados da história recente da ONU.

Além de lidar com um número crescente de conflitos internacionais e com sucessivas violações do direito internacional, terá de enfrentar uma grave crise financeira, agravada pela redução das contribuições de grandes doadores e por cerca de US$ 4 bilhões, aproximadamente R$ 20 bilhões, em pagamentos atrasados dos Estados Unidos. A escolha começa no Conselho de Segurança, onde os cinco membros permanentes – Estados Unidos, China, Rússia, França e Reino Unido – têm poder de veto. Apenas o candidato aprovado pelo Conselho segue para a votação final na Assembleia Geral da ONU, que faz a nomeação oficial.

ONU faz 80 anos em meio à crise financeira América Latina concentra metade dos candidatos A América Latina é a região com maior representação na disputa, com três dos seis candidatos: a ex-presidente chilena Michelle Bachelet, o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), o argentino Rafael Grossi, e a costa-riquenha Rebeca Grynspan, atual secretária-geral da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD). Bachelet tenta se tornar a primeira mulher a comandar a ONU e defende uma organização mais firme na defesa dos direitos humanos. Grossi aposta na experiência acumulada à frente da agência nuclear da ONU para lidar com crises internacionais e propõe uma reforma administrativa para tornar a organização mais eficiente.

Já Grynspan defende uma ONU mais ousada e um Conselho de Segurança mais representativo, com maior participação de países da África e da América Latina. Essa ampla presença latino-americana reforça o peso político da região na disputa, embora a decisão final dependa, sobretudo, do aval dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança, que têm poder de veto. Quem são os demais candidatos Além dos representantes latino-americanos, a disputa conta com outros dois nomes de destaque.

Um deles é o ex-presidente do Senegal Macky Sall, que governou o país entre 2012 e 2024 e aposta na experiência política e na defesa de uma maior presença africana nas instâncias de decisão global. A outra candidata é a diplomata Carolyn Rodrigues-Birkett, da Guiana, atual representante permanente do país na ONU. De origem indígena ameríndia, ela entrou mais recentemente na disputa e defende o fortalecimento do multilateralismo, uma ONU mais eficiente e capaz de responder aos desafios contemporâneos.