No próximo domingo, os cidadãos de São Tomé e Príncipe participarão de uma eleição presidencial que visa reforçar as credenciais democráticas do país, considerado um dos menos populosos da África. De acordo com a Comissão Nacional de Eleições, aproximadamente 142 mil pessoas estão registradas para votar, sendo que cerca de 15% desse total reside no exterior.
Desde que conquistou a independência de Portugal em 1975, a nação insular ao largo da costa oeste da África construiu uma reputação sólida em relação a eleições pacíficas e competitivas. No entanto, o pleito deste ano ocorre em meio a um clima político tenso e a uma crise constitucional persistente.
Conflitos internos e candidaturas
O atual presidente, Carlos Vila Nova, tentará a reeleição como candidato independente, ao contrário de sua posição anterior como membro do partido governista Acção Democrática Independente (ADI), que o elegeu em 2021. As tensões entre Vila Nova e o ADI começaram em janeiro do ano passado, quando ele demitiu o primeiro-ministro Patrice Trovoada. O sucessor de Trovoada, Ilza Amado Vaz, ex-ministra da Justiça, renunciou após apenas três dias, e Américo Ramos assumiu o cargo.
Vila Nova enfrentará quatro concorrentes, incluindo o líder parlamentar do ADI, Nito D’Abreu. Jorge Bom Jesus, ex-primeiro-ministro, tentou retirar sua candidatura independente, mas perdeu o prazo e permanecerá na disputa. O principal partido de oposição, o Movimento pela Libertação de São Tomé e Príncipe, agora faz parte de uma ampla coalizão que apoia o presidente, apesar de ser um adversário histórico do ADI. Uma facção do ADI, liderada por Ramos, apoia D’Abreu. Se nenhum candidato obtiver mais de 50% dos votos, haverá um segundo turno.
Desafios enfrentados pelos eleitores
O empresário Domingos Monteiro, conhecido como “Nino”, foi desqualificado após o tribunal constitucional decidir que ele não atendia aos requisitos de elegibilidade. Embora Monteiro tenha nascido em São Tomé, seus pais não se naturalizaram após se mudarem de Cabo Verde. Ele criticou a decisão, alegando que o tribunal está violando o princípio da igualdade de direitos e fez um apelo contra a discriminação.
Entre as prioridades dos eleitores estão o combate à corrupção governamental, a alta inflação, o desemprego juvenil severo, a crônica escassez de combustíveis e os frequentes apagões. Os adversários de Vila Nova esperam que esses problemas o impeçam de conquistar um segundo mandato e abram caminho para suas próprias candidaturas.
D’Abreu classificou a corrupção em São Tomé e Príncipe como “a maior catástrofe que o país enfrentou neste meio século de independência” durante um debate presidencial na terça-feira. O país é visto como um aliado confiável do Ocidente em questões de segurança e comércio marítimo no Golfo da Guiné, região conhecida por altos índices de pirataria. Além disso, possui depósitos de petróleo offshore que contribuem significativamente para sua economia. Missões de observação da União Europeia, G7+ e da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa estarão presentes para monitorar a votação.
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