A empresa chinesa UBTech apresentou, em Shenzhen, o U1, um robô humanoide de aparência hiper-realista, projetado para atuar como um 'companheiro emocional'. O lançamento ocorreu em um evento que contou com a presença do DJ norueguês Alan Walker e apresentou o robô como uma solução para a solidão, especialmente entre os solteiros e idosos da China.
Características do U1
Com um preço inicial de 119.800 yuans (aproximadamente R$ 91 mil), o U1 é descrito como o primeiro robô humanoide em tamanho real do mundo com características ultrarrealistas. Segundo Michael Tam, diretor-geral da UWorld, marca da UBTech responsável pelo robô, o dispositivo é destinado a um público que inclui cerca de 120 milhões de solteiros e 320 milhões de pessoas acima de 60 anos na China.
O robô possui autonomia de até quatro horas e é capaz de oferecer palavras de conforto ao detectar sinais de fadiga ou estresse. Além disso, o U1 aprende sobre seus usuários ao longo do tempo, podendo identificar problemas de saúde, lembrar horários de medicamentos e oferecer conselhos sobre vestuário.
Limitações e personalização
Embora o U1 possa mover a cabeça, os olhos e a boca, suas funcionalidades são limitadas, não sendo capaz de realizar tarefas domésticas ou oferecer relações íntimas. A UBTech afirma que, por enquanto, o robô não foi projetado para esse propósito. O U1 está disponível em versões masculina (1,83 metro) e feminina (1,68 metro), e pode ser personalizado para se assemelhar a entes queridos, celebridades ou personagens fictícios. Os preços das versões mais sofisticadas podem chegar a 990.000 yuans (R$ 753 mil).
Embora esse tipo de tecnologia desperte críticas sobre a potencial dependência emocional e questões de privacidade, a UBTech garante que os dados gerados pelo robô serão criptografados e não utilizados para treinar modelos de inteligência artificial.
Contexto do mercado de robôs na China
A aceitação social dos robôs é ampla na China, onde esses dispositivos são usados em fábricas e espaços públicos. De acordo com o banco Barclays, o país lidera o desenvolvimento de robôs humanoides, respondendo por 85% dos equipamentos instalados globalmente até 2025. O Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação da China revelou que, no ano passado, mais de 140 empresas lançaram mais de 330 modelos de robôs humanoides.
A robótica é uma prioridade estratégica no plano quinquenal de Pequim para 2026 a 2030. Estudos do Morgan Stanley projetam que o mercado chinês de robôs humanoides pode alcançar US$ 2 bilhões (R$ 10,4 bilhões) em 2023 e US$ 15 bilhões (R$ 77,6 bilhões) até 2030. A UBTech, fundada em 2012, busca expandir sua atuação no segmento de robôs humanoides voltados ao público, que ainda apresenta desafios de rentabilidade.
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