Os incêndios florestais em andamento na França e na Espanha levantam preocupações sobre os riscos à saúde associados à fumaça. Segundo a Anses, a agência de segurança sanitária da França, a fumaça liberada por esses incêndios contém gases e partículas prejudiciais que podem afetar a saúde da população.
Composição da fumaça e seus riscos
A fumaça proveniente das queimadas de vegetação libera uma série de poluentes, incluindo monóxido de carbono e partículas finas que podem penetrar profundamente nos pulmões. A Anses destaca que, além do monóxido de carbono, substâncias químicas como dióxido de carbono, compostos orgânicos voláteis, acroleína, formaldeído e benzeno também são liberadas. Veículos e edificações consumidos pelas chamas podem adicionar outros poluentes à mistura.
Grupos mais vulneráveis
Pessoas que estão nas proximidades dos incêndios podem apresentar sintomas de irritação respiratória. Contudo, os efeitos podem se espalhar para uma população maior, especialmente se o vento transportar a fumaça por horas ou dias. O pneumologista Bruno Crestani, da Fundação de Saúde Respiratória da França, alerta que indivíduos vulneráveis, como idosos, pessoas com doenças respiratórias, crianças e asmáticos, estão em maior risco. Ele ressalta que a fumaça pode desestabilizar condições que antes estavam sob controle.
Além dos efeitos respiratórios, as partículas finas podem entrar na corrente sanguínea, potencialmente provocando diabetes, derrames ou ataques cardíacos. A Organização Meteorológica Mundial destacou que incêndios florestais podem liberar uma mistura tóxica de poluentes a milhares de quilômetros de distância. Em 2024, fumaça de incêndios no Canadá causou poluição do ar até na Europa.
Perigos para os bombeiros
Os bombeiros enfrentam riscos significativos, não apenas durante a luta contra as chamas, mas também durante a monitorização de áreas extintas, investigações e limpeza, além de retornarem às estações com equipamentos e veículos contaminados. A Anses aponta que fatores como inalação de fumaça, estresse térmico, desidratação, trabalho extenuante, privação de sono e fadiga acumulada podem aumentar a vulnerabilidade desses profissionais.
Impacto mortal e proteção
Um relatório da revista médica The Lancet, de dezembro de 2025, estimou que a exposição à fumaça de incêndios florestais causou cerca de 154 mil mortes em todo o mundo no ano anterior, em decorrência de partículas finas. Para a França, a Oxfam calculou que aproximadamente 2.800 mortes prematuras por ano estão ligadas à poluição do ar provocada por incêndios florestais.
O Primeiro-Ministro francês, Sébastien Lecornu, anunciou o envio de 1,5 milhão de máscaras FFP2 para a região da Gironde, onde um incêndio sem precedentes estava em curso, como medida de proteção à população. A Anses recomenda o uso de máscaras para aqueles que possam ter dificuldades ao serem expostos à fumaça e sugere que, caso sintam problemas respiratórios, busquem atendimento médico.
Embora o uso de máscaras não garanta proteção total, é considerado útil. A Anses também aconselha que, em áreas não evacuadas, as pessoas limitem o tempo ao ar livre, mantenham portas e janelas fechadas e cubram as aberturas de ventilação com panos úmidos.
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