Maria Eugênia Andre Avilez, uma imigrante venezuelana que reside em Campinas, São Paulo, compartilhou suas preocupações após os fortes terremotos que atingiram a Venezuela na noite de quarta-feira, 24 de outubro. Com magnitudes de 7,2 e 7,5, os tremores, que ocorreram com menos de um minuto de diferença, provocaram desabamentos, deixaram mortos e feridos, além de desencadear pelo menos 20 réplicas nas horas seguintes. Até o momento, as autoridades confirmaram 188 mortes e 1.520 feridos.

Maria Eugênia, que vive no Brasil há seis anos, revelou que sua família está no sul da Venezuela, região menos afetada pelos tremores. No entanto, todos sentiram os abalos. 'Minha família está lá, eu estou aqui só com meus dois filhos. Graças a Deus, eles estão bem', disse.

As informações sobre a tragédia chegam através de contatos pessoais e redes sociais, o que gera incertezas sobre a verdadeira extensão da catástrofe. Apesar de alívio por saber que parentes próximos e amigos não foram atingidos, Maria destaca a gravidade da situação em outras áreas. 'Tem muitas perdas humanas, muitos prédios que caíram. É uma situação muito triste', lamentou.

Impacto emocional e desafios da migração

Além das preocupações imediatas, Maria enfatiza o impacto emocional sobre os venezuelanos que deixaram o país, especialmente aqueles com familiares idosos. 'Há muita dor. Tem gente que sabe que pais e avós estavam sozinhos e agora estão desaparecidos', afirmou.

A própria migração foi uma decisão extrema para Maria. 'No meu caso, foi por sobrevivência. Ou eu fugia com meus filhos, ou morria na minha terra', relatou. Ela também destaca que muitos idosos resistem a deixar o país por estarem profundamente ligados à sua terra.

Resiliência do povo venezuelano

Apesar da devastação, Maria Eugênia ressalta a capacidade de superação do povo venezuelano. 'O venezuelano sabe se reconstruir, apesar da dor. A gente se levanta e segue em frente, porque precisa', declarou. Ela observou que a resposta imediata ao desastre tem sido marcada pela solidariedade dos próprios venezuelanos, que se mobilizam para resgatar pessoas e ajudar os afetados.