Tragédia da Voepass: vídeo mostra como foi acidente de avião em Vinhedo A Polícia Federal (PF) e o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), da Força Aérea Brasileira (FAB), se debruçaram para investigar a queda do avião da Voepass, que matou 62 pessoas em agosto de 2024. As apurações foram conduzidas em paralelo e têm objetivos diferentes - entenda abaixo. Para facilitar a troca de informações entre as duas investigações, a Primeira Vara Federal de Campinas (SP) autorizou, em 23 de agosto de 2024, que a PF tivesse acesso às apurações do Cenipa.

Professor do Departamento de Engenharia Aeronáutica da Universidade de São Paulo (USP), James Waterhouse explicou o que cada investigação deve esclarecer. "Uma que é feita pela polícia, que é a investigação com fins judiciais, para identificar a culpa, responsabilidades, e a investigação do Sipaer [Sistema de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos], que o Cenipa é o órgão central, com o objetivo de identificar o que a gente chama de fatores contribuintes", resumiu. 🔎 Fatores contribuintes são aqueles que, se removidos, teriam evitado ou atenuado as consequências do acidente.

Uma tragédia aérea pode ter diversos deles. Investigação do Cenipa O relatório final do Cenipa será divulgado nesta quinta-feira (23), às 17h, em Brasília (DF), com transmissão ao vivo pelo g1. A investigação busca reconstituir o acidente e apontar os fatores que contribuíram para a queda, mas não identifica culpados nem pode ser usada para responsabilização criminal.

O relatório também deve trazer recomendações para evitar novos acidentes. "É muito importante que o relatório de acidente [do Cenipa] seja, de certa forma, o mais fiel possível ao ocorrido e que não criminalize ninguém. O intuito dele é evitar que novos acidentes aconteçam.

Todas as vezes que você tem um viés criminal na investigação, você pode não elucidar por completo o caso, porque a verdade se fecha", explicou Waterhouse. E a investigação criminal? Fotos divulgadas pela Polícia Federal mostram o trabalho da perícia na manhã deste sábado (9), após o desastre aéreo em Vinhedo Polícia Federal Já a Polícia Federal informou, nesta quarta-feira (22), que pretende concluir o inquérito em agosto.

A investigação é baseada em dois laudos periciais produzidos pelo Instituto Nacional de Criminalística, com apoio técnico do Cenipa. Os documentos reúnem elementos técnicos e científicos que, confrontados com depoimentos e outras provas, podem indicar se houve falhas humanas ou materiais capazes de justificar eventual responsabilização criminal. O primeiro é o laudo descritivo do local da queda, concluído cerca de 90 dias após o acidente.

O documento reúne fotografias, registra a posição da aeronave, o número de vítimas, os danos provocados e os procedimentos realizados pelos peritos, mas não analisa as causas da tragédia. O segundo é o laudo de sinistro aeronáutico, que acompanha os exames realizados pelo Cenipa nos destroços, motores, caixas-pretas e demais componentes da aeronave. Embora tenha base técnica semelhante à do relatório do Cenipa, ele é elaborado para subsidiar a investigação criminal.