A Polícia Civil do Rio Grande do Sul lançou um novo protocolo de atendimento para otimizar as buscas por pessoas desaparecidas, especialmente aquelas pertencentes a grupos vulneráveis. A iniciativa, que inclui crianças, adolescentes, idosos, mulheres em situação de violência e pessoas com deficiências, padroniza a atuação das delegacias em todo o estado.
Atualmente, o estado registra 154 casos de desaparecimento em aberto. Desde o início de 2023, foram contabilizados 1.649 casos, com 1.495 pessoas localizadas, o que representa uma taxa de sucesso de 90,7% nas investigações. A maior parte dos desaparecimentos ocorre entre jovens de 12 a 17 anos e crianças menores de 12 anos.
Classificação de risco e diretrizes mínimas
Antes da implementação do novo protocolo, as investigações eram conduzidas de acordo com a experiência local de cada delegacia. Agora, a polícia adotará uma classificação de risco por cores que determina a urgência das ações. Segundo a delegada Marina Dillenburg, diretora da Divisão de Inteligência Policial e Análise Criminal do Departamento Estadual de Proteção a Grupos Vulneráveis (DPGV), “uma criança menor de 12 anos tem classificação máxima”, exigindo prioridade nas buscas.
O protocolo estabelece diretrizes de atuação divididas por períodos de tempo: nas primeiras 2 horas, 6 horas e 24 horas após o desaparecimento. Nas duas primeiras horas, a unidade policial responsável deve registrar o caso imediatamente, coletar uma fotografia recente da pessoa desaparecida e entrevistar familiares. Além disso, deve verificar os últimos locais frequentados e consultar hospitais e instituições de acolhimento. O grau de risco é avaliado e a divisão de inteligência é notificada.
Após seis horas, a equipe realiza levantamentos de endereços e pesquisas em bancos de dados, além de analisar redes sociais e investigar possíveis conflitos familiares ou situações de violência. Em até 24 horas, são realizadas diligências presenciais em locais onde a pessoa pode estar, com busca por imagens de sistemas de monitoramento e contato com instituições que possam auxiliar na localização.
Importância da notificação imediata
A Polícia Civil enfatiza que é um mito a necessidade de aguardar 24 horas para registrar uma ocorrência de desaparecimento. A notificação deve ser feita imediatamente. Dillenburg afirma que “qualquer sinal diferente na rotina da pessoa deve ser reportado às autoridades o quanto antes, pois isso aumenta as chances de localização”.
A delegada recomenda que as famílias forneçam o máximo de informações logo nas primeiras horas, incluindo detalhes sobre a rotina, locais frequentados e fotos recentes. “Quanto mais a família ajudar, mais fácil será para nós realizarmos o nosso trabalho”, conclui.
Classificação dos casos de desaparecimento
O novo protocolo também introduz uma classificação de risco para os casos de desaparecimento:
- Vermelho (Risco Crítico): Crianças menores de 12 anos, pessoas com Alzheimer ou demência, risco de suicídio, suspeita de sequestro e violência doméstica recente.
- Laranja (Alto Risco): Adolescentes, idosos, pessoas com deficiência e indícios de exploração sexual.
- Amarelo (Risco Moderado): Ausência de fatores agravantes.
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