Uma revisão científica recente publicada pela Associação Americana do Coração (AHA) na revista Circulation aponta que o consumo moderado de café pode ser benéfico para a saúde cardiovascular. A pesquisa sugere que até 400 miligramas de cafeína por dia é geralmente seguro para a maioria dos adultos e pode estar relacionado a um menor risco de doenças como insuficiência cardíaca, doenças cardíacas e acidente vascular cerebral (AVC).

A AHA baseou suas recomendações principalmente nos hábitos de consumo dos Estados Unidos, onde uma xícara padrão de café contém cerca de 240 ml. Com isso, a quantidade de 400 mg de cafeína corresponde a aproximadamente cinco xícaras de café americano por dia.

Diferenças no consumo de café no Brasil

No entanto, a situação no Brasil é diferente. A concentração de cafeína no café varia conforme o tipo de grão, o método de preparo e a quantidade de pó utilizada. Em geral, uma xícara de 200 ml de café coado contém entre 80 e 120 mg de cafeína. Assim, a quantidade segura para os brasileiros ficaria entre três a cinco xícaras por dia, dependendo da intensidade da bebida.

Outro aspecto relevante é a origem da cafeína, que os pesquisadores se referem como "cafeína saudável". Os benefícios observados nos estudos estão principalmente relacionados ao consumo de café, e não à cafeína presente em outras bebidas, como refrigerantes ou energéticos, que podem conter ingredientes que afetam negativamente a saúde cardiovascular.

Impacto do preparo e da sensibilidade individual

O tipo de preparo do café também influencia seus efeitos na saúde. O consumo de café com cafeína, sem adição de açúcar ou outros aditivos, está associado a um menor risco de diabetes tipo 2, doenças cardíacas e AVC. Estudos demonstram que o café pode ajudar a reduzir o risco de fibrilação atrial, um tipo comum de arritmia cardíaca, embora também possa aumentar a frequência de batimentos cardíacos extras, que geralmente são benignos.

Além disso, a substância cafestol, presente tanto no café com cafeína quanto no descafeinado, pode elevar os níveis de colesterol LDL, o "colesterol ruim". A concentração de cafestol varia conforme o método de preparo, sendo mais alta em cafés não filtrados, como o expresso e o café turco.

A cafeína é rapidamente absorvida pelo organismo e seu efeito pode variar de pessoa para pessoa, dependendo de fatores como genética, idade e hábitos de consumo. Enquanto alguns podem desenvolver tolerância à substância, outros podem sentir efeitos adversos mesmo em doses menores, como palpitações e ansiedade.

Os especialistas ressaltam que, apesar das evidências que associam o consumo moderado de café a benefícios para a saúde cardiovascular, mais pesquisas são necessárias para entender melhor os efeitos da cafeína no organismo e as diferenças individuais na resposta à substância.