Pesquisa da UFG revela que produção de vinhos no Cerrado tem vasto potencial inexplorado

Uma pesquisa realizada pela Universidade Federal de Goiás (UFG) aponta que a aplicação de novas técnicas de cultivo e fermentação pode aprimorar a qualidade dos vinhos produzidos no Cerrado brasileiro. O estudo sugere que a região tem um vasto potencial inexplorado para a vitivinicultura.

Técnicas inovadoras e suas descobertas

O trabalho, desenvolvido no Instituto de Química (IQ/UFG) em colaboração com a vinícola Quartetto Vinhos e Vinhedos, é parte do mestrado de Luis Felipe Lima Guimarães. A pesquisa analisou vinhos elaborados a partir de uvas malbec, syrah e sauvignon blanc cultivadas em Águas Lindas de Goiás.

Um dos principais destaques da produção no Cerrado é a técnica de dupla poda, que permite a colheita das uvas no inverno, ao contrário das principais regiões do Sul do Brasil, onde a colheita ocorre no verão. Essa estratégia é vantajosa, pois o clima mais seco do inverno proporciona condições ideais para o amadurecimento das uvas.

Resultados promissores na fermentação

Durante a etapa de fermentação, os pesquisadores testaram a levedura Hanseniaspora vineae, oriunda do Uruguai, em combinação com a levedura tradicional Saccharomyces cerevisiae. Essa abordagem visou explorar características aromáticas que geralmente não são alcançadas apenas com a levedura convencional.

Os resultados mostraram melhorias significativas tanto na composição química quanto na experiência sensorial dos vinhos. Nos tintos, houve uma maior extração de compostos fenólicos, especialmente taninos, que conferem estrutura e complexidade à bebida. Já no sauvignon blanc, a fermentação com a nova levedura resultou em um perfil aromático mais intenso, com notas florais mais pronunciadas.

Além disso, a pesquisa revelou um aumento no potencial antioxidante dos vinhos elaborados com a combinação das leveduras, o que está associado à presença de compostos bioativos. Esse achado pode aumentar o interesse tanto científico quanto comercial pela técnica.

Apesar de serem produzidos em escala experimental e sem os estabilizantes comuns na produção industrial, os vinhos foram avaliados por especialistas em análise sensorial. Os testes confirmaram que as alterações provocadas pela nova levedura foram percebidas, especialmente no que diz respeito aos aromas.

A pesquisa foi financiada pelo programa de Mestrado Acadêmico para Inovação e Doutorado Acadêmico para Inovação (MAI/DAI) do CNPq, que visa aproximar universidades e empresas para o desenvolvimento de soluções aplicadas. Os resultados serão publicados em revistas científicas e podem levar a pedidos de patente, contribuindo para o fortalecimento da produção de vinhos no Cerrado e ampliando o reconhecimento da região como um polo de vinhos de alta qualidade.